Mulheres que passam por situações de violência e mães atípicas ganharam uma nova opção para buscar atendimento psicológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde lançou nesta segunda-feira (24) um serviço de atendimento remoto em saúde mental integrado ao aplicativo Meu SUS Digital.
A iniciativa pretende facilitar o acesso ao acompanhamento psicológico para pessoas que enfrentam dificuldades para chegar imediatamente a um serviço presencial.
As consultas serão realizadas de forma remota e sigilosa por profissionais capacitados. Além do atendimento inicial, o serviço poderá encaminhar as usuárias para outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), quando houver necessidade de acompanhamento especializado.
O atendimento também poderá alcançar familiares e cuidadores de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
Como funciona o atendimento psicológico
O serviço estará disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h.
Cada usuária poderá realizar até dez sessões de acompanhamento. Quando houver necessidade de continuidade, poderá ser iniciado um novo ciclo, conforme a avaliação do serviço.
A proposta é oferecer uma alternativa para pessoas que precisam de apoio psicológico, mas podem enfrentar obstáculos para conseguir atendimento presencial.
O atendimento remoto também pode funcionar como uma porta de entrada para outros serviços de saúde mental disponíveis na rede pública.
Mães atípicas também estão entre o público
O serviço não é destinado apenas às mulheres que sofreram diretamente algum tipo de violência.
Familiares e cuidadores de pessoas com deficiência, doenças raras ou transtornos do neurodesenvolvimento também poderão buscar atendimento. O público inclui mães atípicas, que muitas vezes enfrentam uma rotina intensa de cuidados e podem precisar de suporte psicológico.
A iniciativa reconhece que o cuidado contínuo de outra pessoa pode gerar impactos emocionais e que os familiares e cuidadores também precisam ter acesso à assistência em saúde mental.
Violência contra mulheres preocupa
O lançamento ocorre em meio à preocupação com os números relacionados à violência contra as mulheres no país.
Dados citados no relatório “Retratos do Feminicídio no Brasil” apontam que mais de 1,5 mil feminicídios foram registrados em 2025. O número representa um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Nos primeiros três meses de 2026, o levantamento indica crescimento de 7,5% na comparação com o mesmo período de 2025. Foram quase 400 vítimas, o equivalente a aproximadamente uma mulher assassinada a cada cinco horas.
Além das medidas de segurança e proteção, o acompanhamento psicológico pode fazer parte da assistência oferecida às mulheres que passaram por situações de violência.
Onde procurar ajuda em caso de violência
O atendimento psicológico não substitui os canais de emergência e proteção para mulheres em situação de violência.
Em casos de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Também é possível buscar orientação e denunciar situações de violência por meio do Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher. Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) e outros serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher também podem oferecer atendimento e encaminhamento.
A criação do atendimento remoto amplia as possibilidades de acesso à saúde mental pelo SUS e pode ser especialmente importante para mulheres e cuidadoras que precisam de apoio, mas nem sempre conseguem se deslocar até uma unidade de saúde.
*Da Agência Fonte Exclusiva








