O Ministério da Saúde lançou uma nova ferramenta digital para ajudar a população a refletir sobre os próprios hábitos relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas. Batizado de Modera Brasil, o recurso está disponível no aplicativo Meu SUS Digital e funciona como uma triagem inicial, permitindo que o usuário identifique possíveis padrões de consumo considerados de maior risco.
A ferramenta apresenta entre três e dez perguntas, de acordo com as respostas fornecidas durante a interação. Ao final, o sistema atribui uma pontuação e classifica o padrão de consumo em três níveis: Baixo, Moderado e Uso Problemático.
A partir do resultado, o usuário recebe orientações específicas. Dependendo da classificação, as recomendações podem envolver conteúdos educativos, informações sobre os efeitos do álcool no organismo e incentivo à adoção de hábitos mais seguros. Em situações de maior risco, a plataforma orienta a busca por atendimento na rede pública de saúde.
Como funciona o Modera Brasil
O recurso foi desenvolvido para oferecer uma avaliação simples e acessível sobre a relação do usuário com bebidas alcoólicas.
Durante o questionário, as perguntas são apresentadas de forma interativa e podem variar conforme as respostas fornecidas. A classificação final permite que a pessoa tenha uma primeira percepção sobre o próprio padrão de consumo.
O resultado, porém, não representa um diagnóstico médico. A ferramenta funciona como instrumento de orientação e triagem e não substitui a avaliação realizada por profissionais de saúde.
Quando são identificados sinais de maior risco, o usuário recebe informações sobre a possibilidade de procurar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mais de 20% dos adultos têm consumo excessivo
O Ministério da Saúde aponta que o consumo excessivo de álcool representa um problema relevante de saúde pública no Brasil.
Atualmente, mais de 20% da população adulta apresenta esse padrão de consumo. Em 2006, o índice era de 15,4%, indicando crescimento ao longo dos últimos anos.
O aumento também aparece nos registros da Atenção Primária à Saúde relacionados a condições associadas ao uso de bebidas alcoólicas.
Em 2016, foram contabilizados mais de 326 mil atendimentos desse tipo. Já em 2025, o número chegou a aproximadamente 840 mil, um crescimento superior a 157% em dez anos.
Álcool pode aumentar o risco de doenças
Os efeitos do consumo de álcool não estão relacionados apenas ao desenvolvimento de dependência. O consumo frequente ou excessivo também está associado a diferentes problemas de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, o álcool está entre os fatores de risco relacionados às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). Entre as condições que podem ter relação com o consumo estão determinados tipos de câncer, doenças cardiovasculares e problemas hepáticos.
O álcool também pode estar associado a impactos sobre a saúde mental e a outros problemas que variam conforme a quantidade consumida, a frequência, características individuais e condições de saúde de cada pessoa.
Por isso, reconhecer precocemente um padrão de consumo potencialmente prejudicial pode contribuir para a adoção de medidas preventivas e para a busca de acompanhamento profissional.
SUS oferece atendimento gratuito
Quem identifica dificuldades relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). O atendimento é oferecido gratuitamente pelo SUS e, quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para serviços especializados.
O acompanhamento também pode envolver cuidados relacionados à saúde mental, de acordo com a avaliação dos profissionais.
Nesse contexto, o Modera Brasil pretende funcionar como uma porta de entrada informativa. A possibilidade de realizar uma autoavaliação de maneira simples e reservada pode ajudar o usuário a reconhecer comportamentos de risco e entender quando é recomendável procurar orientação.
Ferramenta está disponível no Meu SUS Digital
O Modera Brasil integra o conjunto de recursos digitais disponibilizados pelo Ministério da Saúde dentro do Meu SUS Digital.
A iniciativa busca ampliar o acesso da população a informações sobre saúde e estimular a identificação precoce de situações que possam exigir acompanhamento.
Embora o resultado da ferramenta não substitua uma consulta ou diagnóstico profissional, a avaliação pode servir como um primeiro passo para quem deseja compreender melhor seus hábitos relacionados ao álcool e, quando necessário, buscar apoio na rede pública.
*Da Agência Fonte Exclusiva








