O número de brasileiros que decidiram restringir o próprio acesso a plataformas de apostas online já ultrapassa 574 mil pessoas em todo o país.
A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde e reforça o avanço das preocupações relacionadas aos impactos emocionais e financeiros provocados pelas chamadas “bets”.
Criada pelo governo federal no fim de 2025, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão permite que usuários solicitem o bloqueio simultâneo em todos os sites de apostas legalizados no Brasil, utilizando apenas um cadastro vinculado ao CPF.
Entre os motivos mais citados pelos usuários estão dificuldades relacionadas à saúde mental e à perda de controle sobre o hábito de apostar. Segundo os dados oficiais, cerca de 41% das solicitações foram feitas por pessoas que relataram consequências emocionais associadas ao jogo.
Problemas ligados à segurança digital e ao receio de vazamento de dados pessoais apareceram em seguida, representando 18% dos pedidos. Já as dificuldades financeiras motivaram aproximadamente 12% das solicitações registradas pela plataforma.
A ferramenta foi desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas e funciona como uma medida preventiva para usuários que desejam interromper temporária ou definitivamente o acesso às plataformas.
No momento do cadastro, o cidadão pode optar pelo bloqueio por períodos entre um e 12 meses ou escolher a exclusão por prazo indeterminado. A maior parte dos usuários preferiu a suspensão sem data para encerramento.
Além de impedir acesso às contas existentes, o sistema também barra novos registros em plataformas autorizadas e interrompe o envio de propagandas personalizadas relacionadas a apostas esportivas e jogos online.
A plataforma ainda reúne orientações sobre saúde mental e indica caminhos para atendimento na rede pública de saúde. Entre os recursos disponíveis estão materiais educativos, um autoteste psicológico e ferramentas de avaliação financeira.
Uma das funcionalidades integra um questionário elaborado pela Federação Brasileira de Bancos para auxiliar usuários a identificarem possíveis impactos das apostas na vida econômica.
O governo federal também anunciou nesta terça-feira (26) um investimento de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde.
O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo e deve começar ainda em 2026, com o objetivo de medir os impactos sociais, emocionais e financeiros das apostas digitais na população brasileira.
As autoridades de saúde orientam que pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas ao jogo compulsivo procurem apoio em unidades básicas de saúde, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ou profissionais especializados.
*Da Agência Fonte Exclusiva








