Viver em um país com alta incidência de sol não é garantia de níveis adequados de vitamina D. Mesmo pessoas que se expõem ao sol com frequência podem apresentar deficiência, já que a produção e o aproveitamento da vitamina pelo organismo dependem de diversos fatores.
A vitamina D tem papel importante principalmente na absorção de cálcio e na manutenção da saúde dos ossos e músculos. Parte dela é produzida pela pele a partir da exposição à radiação ultravioleta, mas idade, pigmentação da pele, obesidade, rotina em ambientes fechados e algumas doenças podem interferir nesse processo.
Alterações intestinais que prejudicam a absorção de nutrientes, doenças do fígado e dos rins, cirurgias bariátricas e o uso de determinados medicamentos também podem aumentar o risco de níveis inadequados.
Por isso, uma pessoa pode viver em uma região ensolarada ou ter contato frequente com o sol e, ainda assim, apresentar deficiência.
Exame não é indicado para todos
Apesar da popularização dos exames de vitamina D, diretrizes médicas recentes não recomendam o rastreamento de rotina para todos os adultos saudáveis.
A dosagem costuma ser considerada principalmente quando existem fatores de risco, suspeita clínica ou condições de saúde em que o resultado possa interferir na conduta médica. A recomendação busca evitar exames e tratamentos sem benefício comprovado.
Nos últimos anos, a vitamina D passou a ser relacionada a uma longa lista de doenças e problemas de saúde. As evidências mais consistentes, no entanto, continuam ligadas principalmente ao metabolismo do cálcio e à saúde musculoesquelética.
Estudos investigam possíveis relações com imunidade, doenças cardiovasculares, depressão e outras condições, mas isso não significa que tomar suplementos de vitamina D previna ou trate esses problemas de forma indiscriminada.
Quando a suplementação pode ser necessária
A necessidade de suplementação depende de fatores como idade, alimentação, condições clínicas, risco de deficiência e resultados de exames, quando a dosagem é indicada.
Pessoas com doenças que prejudicam a absorção de nutrientes, determinados problemas ósseos e outras condições específicas podem precisar de avaliação e reposição individualizadas.
A deficiência de vitamina D pode reduzir a absorção de cálcio e contribuir para alterações nos ossos. Em situações mais graves ou prolongadas, pode estar relacionada à osteomalácia em adultos e ao raquitismo em crianças.
O excesso também traz riscos
Tomar doses elevadas de vitamina D por conta própria não é inofensivo. Como a vitamina é lipossolúvel, o excesso proveniente principalmente de suplementos pode se acumular no organismo.
A intoxicação pode elevar de forma excessiva o cálcio no sangue e provocar náuseas, fraqueza, alterações neurológicas, cálculos e lesões renais, além de outros problemas.
Por isso, a orientação atual é evitar tanto a deficiência quanto o uso indiscriminado de suplementos em altas doses.
Sol não é uma fórmula exata
A produção de vitamina D pela pele varia de uma pessoa para outra. Cor da pele, idade, local onde a pessoa vive, estação do ano, horário, quantidade de pele exposta e condições individuais influenciam o processo.
Por essa razão, não existe uma quantidade única de minutos de exposição solar que garanta níveis adequados para toda a população.
A avaliação deve considerar o contexto de cada pessoa. Da mesma forma, exames e suplementos não devem ser adotados apenas porque a vitamina D se tornou popular, mas quando houver indicação baseada em risco, condição clínica e orientação profissional.
*Da Agência Fonte Exclusiva








