Associação Brasileira de Imprensa e Federação Nacional dos Jornalistas protestam contra segregação e ameaças aos profissionais de imprensa na posse do presidente;

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Imprensa (ABI) emitiram nota de protesto contra o cerceamento ao trabalho dos profissionais de imprensa durante a cerimônia de posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), na terça-feira (1º), em Brasília.

Os profissionais credenciados para a cobertura foram obrigados a chegar 7 horas da manhã para uma solenidade marcada para o início da tarde, segundo confirma a nota da Fenaj. Ficaram confinados em um espaço sem assento, com apenas um banheiro para atender mais de 100 profissionais. O máximo que dispunham era água potável.

“Jornalistas tiveram de se deslocar para os locais de cobertura em veículos disponibilizados pelo governo, não puderam circular livremente (alguns correspondentes estrangeiros consideram o confinamento obrigatório como cárcere privado), passaram por privação de água e ainda foram ameaçados, caso desrespeitassem as rígidas regras de comportamento anunciadas”, diz um trecho da nota.

As duras regras protocolares foram ainda mais ameaçadoras, chegando a enfatizar que “quem não respeitasse as restrições de acesso ou mesmo fizesse movimentos bruscos (aviso especial aos repórteres fotográficos, que não deveriam erguer suas câmaras), poderia se tornar alvo dos atiradores de elite”.

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A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade que se notabilizou no enfrentamento à ditadura militar e no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, também divulgou uma nota dura contra o episódio.

“A ABI espera que os exageros no trato com os jornalistas sejam creditados à inexperiência da nova criadagem do Palácio do Planalto e dos serviçais que assumiram a segurança periférica do presidente”, diz um trecho da nota da ABI assinada pelo presidente da Domingos Meirelles.

“Não é aceitável que repórteres e cinegrafista sejam mantidos durante horas em determinados locais, como se estivessem em cárcere privado, impedidos de se locomoverem, e até falar com o público. Não se pode confinar a imprensa em alambrados, como gado de corte”, destaca a nota.

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O presidente Jair Bolsonaro, desde a campanha eleitoral, adotou como tática agredir veículos de comunicação e jornalistas que assinassem reportagens contrárias aos seus interesses. Durante boa parte da campanha, praticamente, manteve-se distantes de entrevistas, só permitindo conversar com profissionais de emissoras alinhadas ao seu projeto, como foi o caso da TV Record e SBT.

As cenas de petulância e surrealismo no dia da posse foram temas de uma artigo assinado pela jornalista Mônica Bergamo, na edição desta quarta-feira (02) da Folha de São Paulo.

Bergamo narra em pormenores o “dia de cão vivido pelos jornalistas” no que deveria ser uma etapa complementar a festa da democracia. Mas com a experiência obtida na cobertura da posse de outros presidentes, a jornalista conclui o texto de forma lapidar, reproduzindo o prognóstico de outros jornalistas experientes: “essa postura do governo durará pouco. Até a primeira crise”.

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