O Complexo Industrial Portuário de Barra do Furado, localizado na divisa entre as cidades de Quissamã e Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, tornou-se um empreendimento surreal. O projeto que inicialmente estava estimado em pouco mais de R$ 200 milhões sofreu alterações nos governos passados e o custo foi elevado para R$ 500 milhões. Neste ambiente de crise econômica e escassez de recursos, todos os investidores se retraíram.
Prefeito de Quissamã, Nilton Pinto | Foto: VIU!
O mercado petrolífero, grande indutor da economia regional, está em marcha lenta em função da crise da Petrobras, que reduziu substancialmente os investimentos na Bacia de Campos. A desvalorização do barril do petróleo no mercado internacional é outro componente negativo.
O empreendimento de Barra do Furado era tocado por meio de uma Parceria Público Privada (PPP). A parceria previa aporte financeiro dos Governos Federal, Estadual, prefeituras de Campos e Quissamã. Nas últimas rodadas de entendimentos, o prefeito de Quissamã, Nilton Pinto, dimensionou o tamanho do abacaxi:
“O governo Federal diz que o projeto é lindo, mas na hora de enviar recursos fica na promessa. O governo Estadual é mais pragmático: diz que não tem dinheiro. Os investidores privados estão debaixo da coberta, porque o mercado está uma tragédia. Sobra para as prefeituras de Campos, que deve contabilizar perdas de recursos na ordem de R$ 700 milhões até dezembro e Quissamã, que vai fechar o ano com perdas de R$ 64 milhões. A conta não fecha e temos outras demandas mais imediatas”, destaca.
Quissamã é uma cidade fortemente impactada pela crise no mercado de petróleo. A cidade tem 80% de sua arrecadação decorrente da arrecadação de royalties na Bacia de Campos. Mesmo diante da queda de receitas, o município mantém os serviços essenciais, pagamento em dia e manteve benefícios dos servidores, como vale-alimentação. Em janeiro do próximo ano, o prefeito planeja uma nova reforma administrativa visando a redução de gastos.