A cada novo módulo do curso imersivo Journalism in a pandemic: Covering COVID-19 now and in the future, da Universidade do Texas (EUA), somos tomados pela surpreendente constatação: por mais que a ciência tente desvendar o novo coronavírus, muito pouco ainda se sabe sobre este patógeno que desafia a humanidade.
Até chegar a uma vacina, se é que chegaremos lá, será um duro caminho, como tem sido as pesquisas do vírus HIV, uma pandemia que está sob controle, mas para a qual também não existe cura.
Os especialistas explicam as dificuldades: tanto o novo coronavírus, como o HIV, são vírus que “transbordaram” de animais para os seres humanos. Nesses casos, a cura é bem mais complexa do que no caso de um vírus transmitido de um ser humano para outro.
O novo coronavírus origina-se de morcegos selvagens e o HIV de chimpanzés.
Temos outros coronavírus entre nós, como o que provoca a Síndrome Respiratória Aguda Severa, conhecida pela a sigla SARS, e o que leva a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). Esses só não chegaram ao estágio de uma pandemia porque na época em que surgiram, respectivamente em 2002 e 2012, governos responsáveis ouviram a tempo os alertas dos organismos internacionais de saúde e criaram barreiras sanitárias.
Contudo, esses coronavírus também têm alto potencial de letalidade para pacientes com comorbidade e não existe fórmulas que os cure. Existe também o vírus Ébola, que está sob controle.
Quanto ao novo coronavírus, ainda há lacunas que precisam se desvendadas até que se possa chegar ao estágio de controle. Ainda não se sabe, por exemplo, se um paciente uma vez infectado para o novo coronavírus estará imunizado diante de uma segunda onda de infecção.
Para obter conclusões, no entanto, as melhores armas são os dados, que podem ser obtidos por meio de testagem em massa e aferição do comportamento do patógeno em cada região do mundo. Não basta contabilizar pacientes em UTIs e nos cemitérios para se tirar conclusões.
Contar com a expectativa de uma vacina ou remédio milagroso é ter a esperança como a estratégia e como bem disse o infectologista da Universidade Minnesota (EUA), Michael Olsterholmn, em um dos módulos do curso, “a esperança não é uma estratégia”.
Olsterholmn é doutor e professor universitário. Ele fundou o Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da universidade norte-americana e foi conselheiro de governos. Ele é autor de dois livros “Living Terrors” e “Deadlist Enemy: Our War Against Killer Germs”.
O curso imersivo da Universidade do Texas reúne mais de 7,5 mil jornalistas de vários países. Além das aulas, também participamos de debates por meio da plataforma digital, que permite uma interação com vários especialistas em saúde global e pandemias.
A comunidade científica é unânime em defender medidas restritivas como mecanismos de controle e não poupa críticas aos governos que ignoraram os alertas e desprezaram os protocolos de proteção, como foi o caso do presidente Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro, no Brasil.
O curso da Universidade do Texas tem apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Unesco. As aulas são ministradas pela jornalista e escritora norte-americana Mariny Mckenna.








