O sexto Panorama Ambiental Global (GEO-6), principal avaliação periódica da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a situação do meio ambiente na Terra que acaba de ser publicado, trouxe notícias alarmantes acerca dos efeitos crescentes das mudanças climáticas sobre a capacidade de sobrevivência da Humanidade.
O GEO-6 traz ainda considerações acerca da necessidade de integração entre os setores responsáveis pela elaboração de políticas, incluindo agricultura, turismo, indústria, transporte e outros, além de investimento em estudos e sistemas de conhecimento para possibilitar medidas mais efetivas para nos preparar para um processo de mudanças ambientais que agora parece inevitável.
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São Paulo 28/02/2019 – Fonte: Portal VIU! – Facebook
O acesso a este relatório e as informações que ele contém deveria soar as sirenes em todos os cantos do mundo, mas é provável que novamente o GEO-6 passe despercebido da maioria das pessoas, pois está claro que a maioria dos governantes não trata a situação ambiental da Terra como algo realmente merecedor de atenção.
DESPREZO AO CONHECIMENTO
A tendência tem sido rejeitar o conhecimento científico e apostar que tudo não passa de um alarmismo infundado por parte da maioria da comunidade científica que afirma que o clima do nosso planeta está mudando.
Mas, olhando para exemplos concretos deste verão, pudemos ver as ruas e avenidas inúmeras cidades brasileiras sendo transformadas em rios que arrastavam carros e pessoas com uma força inédita.
Em alguns casos, houve ainda o aparecimento de mini tornados e a ocorrência de ventos de alta velocidade que derrubaram árvores e causaram pesados danos em edificações.
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São Paulo 28/02/2019 – Fonte: Portal VIU! – Facebook
Ao contrário do que possa parecer, os rios repentinos não está sendo causados por falta de coleta de lixo que se acumulam em galerias pluviais. Esse aspecto é apenas a ponta do iceberg de um fenômeno ainda mais grave, pois o que vem aumentando em ritmo notável são os chamados eventos atmosféricos extremos que estão se manifestando por altos níveis de precipitação em espaços curtos de tempo.
Esse padrão de chuvas tem sido apontado como uma das principais manifestações concretas das mudanças climáticas, ainda que não seja o único.
NOVO PADRÃO CLIMÁTICO
Algo que parece cada vez mais urgente é adaptar as cidades ao novo padrão de funcionamento do clima já que a imensa maioria da Humanidade vive hoje em áreas urbanas.
Essa adaptação deveria estar no topo das prioridades de qualquer prefeito, pois sem políticas ambientais que nos preparem para o que está se manifestando as perdas humanas e econômicas só irão aumentar.
CIDADE VULNERÁVEL
Diante desse cenário complexo, é constrangedor notar que em Campos dos Goytacazes (RJ) estamos completamente desprovidos de qualquer política pública que possa preparar o nosso cidade para os desafios trazidos pelas mudanças climáticas.
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Forte chuva na tarde desta quinta-feira (28/02), em Campos dos Goytacazes (RJ) | Fonte: Portal VIU! – Facebook
É como se nada de diferente estivesse acontecendo, e a agenda ambiental fosse algo de menor importância. A demonstração cabal dessa falta de disposição para enfrentar os desafios que estão diante de nós é a falta de investimentos em políticas ambientais, onde os gastos com comunicação social superam os investimentos com a conservação do ambiente.
A impressão que fica é que os governantes de plantão nem se dão conta dos graves problemas que a nossa cidade já enfrenta. Aliás, não se dão conta e parecem ter raiva de quem se dá.
Essa falta de entendimento e de ações estruturantes não será resolvida com a colocação de coletes da Defesa Civil, depois da queda das árvores e inundação de bairros inteiros. Esse tipo de postura meramente performática apenas exacerba a falta de políticas ambientais, tendo ainda o condão de colocar quem faz isso numa posição vexaminosa.
O que mais impressiona é que vivemos em uma cidade com conhecida capacidade instalada de pesquisadores que poderiam ser convidados para formar um painel de consultores para as políticas ambientais municipais.
Recrutar esses pesquisadores para formular propostas que ajudassem a cidade a se preparar para os desafios que as mudanças climáticas causam seria um primeiro passo para vencer o atraso e o descaso.
Mas, sinceramente, não vejo nenhuma disposição para fazer isso, pois as prioridades parecem bem diferentes. A mais notável delas é comprar equipamentos de controle da frequência de servidores nas suas repartições. Ainda que não haja nada errado em querer que os servidores cumpram seus horários, essa fixação com micro gestão revela uma grande compreensão com as tarefas que estão postas.
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Macaé (RJ) – dia 28/02/2019 – Fonte: Portal VIU! Facebook
VOZ ROUCA DAS RUAS
Agora quem disse que serão os governantes aqueles que vão liderar os esforços pelo desenvolvimento de formas de funcionamento das nossas cidades que estejam adaptadas às mudanças climáticas?
Tudo indica que será a própria população que terá de arregaçar as mangas e exigir novas formas de governar e gerir as cidades.
Milhões de jovens estudantes estão agitando as cidades dos países desenvolvidos a partir da exigência de que mudanças radicais sejam feitas no funcionamento da sociedade capitalista, apontada como a principal responsável pelas mudanças que estão ocorrendo no funcionamento dos sistemas naturais da Terra. Seguir o exemplo organizativo seria o primeiro e fundamental passo para caminhar na mesma direção que eles estão.








