Presenciamos tempos tão distópicos, que a revolução dos dias atuais não é mais o conquistar do jardim de inverno do czar, como ocorreu na revolução burguesa na França em 1789 (que criou o slogan igualdade, liberdade e fraternidade), ou a derrota da dinastia dos Romanov em 1917, que marcou a conquista dos camponeses do poder soviético, mas sim a simples conquista da presidência do Banco Central de um país.
Vejam a atuação recente do Federal Reserve Bank (FED) americano garantindo liquidez ao sistema bancário instável e à beira da crise pelo grau de alavancagem e risco.
Vivemos o império da finança em escala planetária. O brasileiro comum, que paga caríssimos juros no crédito sente na pele essa realidade, e sabe bem do que se trata.
Segundo o IPEA – think tank que assessora o próprio governo federal, as famílias mais pobres são as que mais perderam rendimento no período mais recente na economia brasileira.
Resumo da ópera: o comportamento do rendimento médio dos brasileiros segundo faixas de salário mínimo revela que os que ganham menos perdem poder aquisitivo, ao contrário dos que ganham mais, confirmando que desde o período DILMA/LEVY, até os dias atuais as políticas públicas governamentais favoreceram os ricos. Por isso o otimismo dos privilegiados com 2020.
Segundo o pensador Karl Polany, o liberalismo (extremado) é uma utopia. Está claro, que diante do conflito distributivo, a elite brasileira exigiu a retomada da taxa de lucros, em relação aos salários e aos juros. Entretanto, o motor da economia de mercado (a ganância) leva a uma exploração exagerada do operariado e dos recursos naturais.
Isso engendra um conjunto de mecanismos que cria tensões cumulativas e ressentimentos no organismo social. Em algum momento surge um contramovimento, ou uma reação à pauperização absoluta e relativa de crescentes contingentes da população.
É o momento em que a sociedade põe freios a esse estado de coisas impedindo a destruição da coesão social.
A impressão é que vivemos numa sociedade onde predomina a rapina, a falta de oportunidades, ausência de interesse público e de saídas críveis. Resta apostar na esperança e transformar a decepção em ação concreta e superar o impasse que nos paralisa. Enfim… Boas festas para todos.








