O legislativo de Campos dos Goytacazes-RJ na máxima do “dinheiro pouco, meu cafezinho primeiro”, mais de R$ 78 mil para o lanchinho dos parlamentares;
O presidente da Câmara de Vereadores de Campos dos Goytacazes, vereador Marcão Gomes (Rede), aplaudindo o prefeito Rafael Diniz no seu discurso de posse no dia 01 de Janeiro de 2017
Confesso que não interesso muito pela política municipal em Campos dos Goytacazes (Norte Fluminense) especialmente quando a coisa se refere à Câmara de Vereadores. É que ao longo dos últimos 19 anos nunca consegui ver nada muito imaginativo saindo dali em termos da necessária democratização da administração pública.
Mas não tenho como não deixar de notar o forte descompasso que está marcando a legislatura comandada pelo vereador “Marcão” que, por um lado, vem aprovando a toque de caixa uma série de regressões nas politicas sociais voltadas para os mais pobres e, por outro, mantém os cofres abertos para os gastos da própria Câmara de Vereadores.
Um exemplo disso é o extrato do Diário Oficial do Município que segue abaixo e que vem causando uma forte repercussão negativa nas redes sociais, pois mostra a contratação de uma empresa para servir cafézinho e canapés aos nobres vereadores a um preço bem salgado (i.e., R$ 78.510,00) por um período de 4 meses, o que resulta num vultoso gasto mensal de R$ 19.627,50!

Mas além do preço salgado do contrato, outro detalhe que me chamou a atenção foi que o amplo portfólio de serviços prestados pela empresa vencedora do contrato, Freire & Rosário Comércio e Serviços Ltda (Aqui!) não parece combinar com as edificações existentes no que seria o seu endereço oficial, pois a única atividade comercial visível é de depósito de bebidas (ver imagens abaixo).

É importante notar que não há necessariamente nada de ilegal em uma empresa declarar um endereço como o de sua sede e possuir local de armazenagem em outro. E esse pode bem ser o caso da Freire & Rosário Comércio e Serviços Ltda.
O que realmente importa aqui é notar que a austeridade aplicada pela base do governo Rafael Diniz para justificar os cortes realizados nas políticas sociais voltadas para os mais pobres não foi seguida quando se tratou dos gastos com a conta do cafezinho. É que a oportunidade para ser austera foi perdida pela Câmara de Vereadores já em abril quando foi a Freire & Rosário Comércio e Serviços Ltda ME foi contratada.
Aliás, há algo mais contraditório em avalizar o fechamento de um restaurante popular com os canapés já garantidos pelo mesmo dinheiro público que se diz estar escasso para financiar as políticas de mitigação da pobreza extrema que existe em Campos?








