Na abertura do evento de petróleo e gás na cidade de Macaé, Petrobras tenta justificar precarização no ambiente de trabalho nas plataformas;
Da redação
A 9ª edição da Feira Brasil Offshore, iniciada nesta terça-feira (20) no Centro de Convenções Roberto Marinho, em Macaé, no Norte Fluminense, traduz o enfraquecimento da produção de petróleo na Bacia de Campos.
Desta vez, os expositores do terceiro maior evento da área de petróleo e gás na América Latina se resumem ao baixo clero da prestação de serviços às gigantes do setor. Das grandes empresas presentes, apenas a Petrobras, que se demonstra muito mais preocupada em justificar a série de acidentes com trabalhadores nas plataformas do que propriamente anunciar a tão sonhada retomada na produção numa região que já respondeu por 80% do petróleo extraído no país e atualmente está na faixa de pouco mais de 60%, com declínio acelerado.
O quesito segurança no trabalho dominou boa parte do discurso do gerente geral da Unidade de Operações da Bacia de Campos (UO-BC), Marcelo Ferreira Batalha, durante a cerimônia de abertura. Ele abriu o discurso afirmando que “a empresa tem o compromisso em reforçar a segurança dos trabalhadores e com o respeito as 10 regras de ouro da estatal para proteger a força de trabalho”.
O discurso tenta encontrar eco no ambiente em que a mais recente tragédia, no domingo (18), teve como vítima dois trabalhadores da Reduc (Refinaria de Duque de Caxias). No dia 09 de junho, um acidente com o navio sonda da Odebrecht, fretado pela Petrobrás, resultou na morte de três trabalhadores, todos terceirizados. Apenas um dos feridos sobreviveu.
O Sindicato dos Petroleiros atribui os acidentes ao desmonte do setor de sondagem e perfuração da companhia. “Os efetivos próprios foram desmobilizados e as plataformas hibernadas e privatizadas”, denuncia o sindicato em recente reportagem publicada no site da entidade.
Para o Sindipetro, a redução de efetivos e a precarização das condições de trabalho estão diretamente relacionados a política de privatização de unidades e de um plano de negócios com foco no fatiamento da empresa.
A Bacia de Campos tenta sobreviver ao impacto da nova política implantada desde a eclosão da Operação Lava Jato, que revelou uma série de escândalos envolvendo executivos do alto escalão da empresa com recebimento de propina. A partir daí, a empresa iniciou um plano de desinvestimento na região, justamente no momento em que a produção nos poços maduros já entrava numa fase de esgotamento. A Petrobras, desde então, concentra esforços na produção do pré-sal, fortalecendo o litoral de Maricá, Angra dos Reis, e a região de Santos, em São Paulo.
O que se desenha neste momento em que o petróleo convive com desvalorização no mercado internacional e escassez nos campos maduros brasileiros, é um futuro sombrio para a Bacia de Campos. É um cenário que apenas Macaé terá uma vida mais prolongada, pelo fato de concentrar toda a logística estrutural para o setor, funcionando como sede das empresas e localização do terminal Cabiúnas. É uma estrutura que não permite uma desmobilização da noite para o dia.
“Estamos completando 40 anos da Bacia de Campos, que é responsável por 64% da produção nacional. É a partir de Macaé que são monitorados remotamente o escoamento, a pressão, a vazão e a temperatura do óleo e gás produzidos diariamente em grande parte das unidades marítimas”, disse Batalha.
O prefeito de Macaé, Dr. Aluízio, que também é presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), empreende um esforço para a retomada de investimentos. Em recente périplo por Brasília, em reunião com o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia e o ministro Moreira Franco, ele apresentou estudos mostrando que para cada US$ 1 bilhão investido na Bacia de Campos são gerados 25.000 mil empregos de forma imediata.
Dr. Aluízio participou da abertura da Feira, juntamente com as prefeitas de Quissamã, Fátima Pacheco (PTC, e Cristiane Cordeiro (PP), de Carapebus. Também participaram da abertura os prefeitos de Itaboraí, Dr. Sadinoel (PMB) e de Tanguá, Valber Luiz Marcelo de Carvalho (PTB).
As prefeituras de Campos dos Goytacazes e São João da Barra não enviaram representantes, assim como Búzios, Cabo Frio, Araruama, Arraial do Cabo e Casimiro de Abreu.








