Depois de ver prisão reformada, magistrado acusa ex-governador de tentar suborno um mês atrás; alguém pode achar que é uma “vingança”, e estamos fartos de juízes “vingadores”, não é?
Por Fernando Brito
É bom que o juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, tenha alguma evidência sólida sobre a acusação que fez, hoje, de que Anthony Garotinho e o o filho Wladimir, teriam, por duas vezes, tentado suborná-lo com ofertas de R$ 1,5 milhão e R$ 5 milhões para que pusesse fim a investigação de crimes eleitorais cometidos por ambos.
É bom, porque estranhíssimo que tais ofertas, feitas por intermediários, só tenham sido denunciadas pelo juiz depois que sua ordem de prisão preventiva foi reformada – com uma devida “bronca” por ele assumir o papel de “médico” e mandar retirar Garotinho do hospital em que se encontrava. Por que, de outra forma, alguém pode achar que é uma “vingança” e estamos um pouco fartos de juízes “vingadores”, não é?
A primeira pergunta, óbvia, é que – tendo à sua disposição a Polícia Federal – Sua Excelência não avisou para que os “subornantes” fossem presos em flagrante, até mesmo no momento em que fossem pagar ou solicitassem conta para depositar o dinheiro escuso. Ou para, ao menos, colocar escutas no gabinete do juiz e leva-los a deixarem registradas as ofertas de propina.
Diz O Globo que “as propostas de propina foram feitas há cerca de um mês, e o juiz resolveu fazer a denúncia agora para preservar as investigações e a operação”. Um mês! Tempo de sobra para armar uma arapuca, não é?
O Dr. Glaucemir tem um histórico de confusões. Em dezembro de 2009, por exemplo, O Globo publicou:
Um empresário de Vila Velha acusa um juiz criminal do Rio de Janeiro de ter sacado e apontado uma pistola para sua cabeça no meio de uma das pistas de dança do Multiplace Mais, em Meaípe, Guarapari. A confusão ocorreu por volta das 5 horas, após um show da banda Skank. Alex Pimentel estava com uma namorada que teria sido importunada pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira. O empresário afirma que o juiz assumiu uma atitude agressiva diante de sua aproximação, sacando da cintura uma pistola. Na confusão, o empresário foi imobilizado pela segurança e seria levado para fora, caso não fosse reconhecido. Ele é dono de um estacionamento e de uma sorveteria próximos da casa de shows.








