A já conturbada cena política de Campos dos Goytacazes (RJ) ganhou um novo e inesperado capítulo. Em uma nota publicada em sua conta oficial no Instagram, Anthony Garotinho, ex-governador do Rio de Janeiro e patriarca de uma das famílias mais influentes da política fluminense, fez duras críticas ao próprio filho, o prefeito Wladimir Garotinho.
O desabafo revela não apenas uma ruptura política, mas também um distanciamento pessoal que escancara a crise interna no clã Garotinho.
Na publicação, Anthony alterna os papéis de pai e líder político. Ao se referir ao filho com afeto, usa o apelido “Wlad”. Mas quando o assunto são as atitudes administrativas e estratégicas do prefeito, o tom muda e ele adota o tratamento formal de “Wladimir”.
“Amo meu filho WLAD, mas não concordo com as posições e atitudes do político WLADIMIR”, escreveu.
A crítica vai além das decisões pontuais. Garotinho menciona ter sido ignorado em conselhos dados durante o primeiro mandato, citando, por exemplo, a antecipação da eleição da presidência da Câmara Municipal, episódio que acabou entregando o comando do legislativo local à oposição. Para ele, o erro estratégico custou caro à governabilidade.
Outro ponto abordado é o isolamento imposto por jovens auxiliares que cercam Wladimir, a quem Anthony acusa de fomentar a distância entre pai e filho. “Talvez seus jovens conselheiros não pensem assim e a todo instante procurem nos afastar”, lamenta.
Apesar do tom crítico, Garotinho reafirma o amor paternal: “Ao meu filho desejo tudo de melhor que um pai pode desejar a um filho”. Ainda assim, ele reforça que não tem qualquer influência sobre as decisões políticas ou administrativas do prefeito, numa tentativa de se desvincular das responsabilidades da gestão municipal.
A publicação ecoa não apenas nos bastidores da política local, mas também em toda a estrutura política do estado, onde o nome Garotinho ainda tem peso. A ruptura pode impactar diretamente as articulações para as eleições de 2024 e além.
O texto de Anthony Garotinho é simbólico: representaria o fim da tutela política sobre o filho e uma tentativa de preservar seu próprio legado. “Não quero viver à sombra dos antepassados”, escreve o ex-governador, em uma crítica à aparente rejeição de Wladimir à herança política da família.
O conflito interno ocorre em meio a uma crise administrativa enfrentada pela prefeitura de Campos, com denúncias de má gestão e dificuldades na articulação política. Agora, com o pai assumindo publicamente o distanciamento, Wladimir Garotinho terá de lidar não apenas com a oposição externa, mas também com o peso da ruptura dentro de sua própria casa.







