Novo Plano de Negócios anunciado pela Petrobras é um indicativo de que a crise dos royalties tende a se acentuar nos municípios da Bacia de Campos |
Os movimentos mais recentes da Petrobras, principal força motora da zona produtora de petróleo da Bacia de Campos, sinaliza uma retração considerável nos investimentos em poços maduros. Traduzindo em miúdos: tempos sombrios virão. Pelos próximos quatro anos os municípios produtores terão que se habituar ao cenário com estabilização ou até redução na produção de petróleo. Se todos os caminhos levam a Roma, por aqui os passos conduzem a uma conjuntura com menos fluxo de renda, menos empregos, tendência de queda nos repasses de royalties e queda na participação especial.
O cenário não poderia ser mais desalentador para os municípios que já sofrem uma queda acentuada de receitas desde janeiro deste ano. A Petrobras fez uma opção preferencial pela exploração na camada do pré-sal. De acordo com reportagem publicada no portal VIU ONLINE, o planejamento estratégico para o quadriênio (2015-2019) prevê uma produção total de óleo e gás – petróleo equivalente – de 3,7 milhões de barris por dia em 2020, quando a estatal calcula que o pré-sal representará mais de 50% da produção total de óleo.
Fatores desfavoráveis
A Petrobras enfrenta uma conjunção de fatores desfavoráveis. O primeiro deles é o efeito de uma crise mundial que afeta a cotação do barril do petróleo no plano internacional. Concomitantemente, a estatal paga um alto preço pela ingerência política do governo na fixação de preços dos combustíveis em descompasso com o mercado. Neste mesmo ambiente emergiu o Petrolão, escândalo de corrupção que afetou a imagem da empresa no mercado, dificultando a captação de investimentos.
O mercado está inóspito para o monopólio. O setor petrolífero brasileiro necessita de investidores. Talvez, seja a hora de repensar a presença monopolista da Petrobras e abrir as portas para empresas privadas. Esta é a tese, por exemplo, do prefeito de Macaé, Dr. Aluízio, conforme noticiado na edição de número 25 de VIU!, que circulou no mês de março.
“A Petrobras passa por um momento difícil, que dificulta seu poder de investimento. A empresa enfrenta uma crise de credibilidade e tem dificuldades de atrair investidores. Talvez, esteja na hora de abrir espaço para a iniciativa privada entrar neste mercado”, disse o prefeito na ocasião.
Este seria o mesmo tom que o senador tucano José Serra entoaria na Feira Brasil Offshore, até ser atropelado pelas vaias de um grupo de militantes do Sindicato dos Petroleiros, defensores intransigentes do monopólio. Mas a realidade não engana. O monopólio é insustentável.








