O Centro Russo de Reconciliação na Síria divulgou um vídeo mostrando o lançamento de lança-foguetes turcos contra posições do Exército sírio na província de Idlib.
Momento antes, o Exército sírio havia respondido a ataques de grupos armados ocorridos próximo de al-Nairab, no sudeste de Idlib.
O órgão assegura que grupos terroristas romperam a defesa das tropas governamentais sírias com o apoio da Turquia, que cessou seus ataques de artilharia depois que Moscou tomou conhecimento dos fatos e entrou em contato com Ancara.
A Sana, agência de notícias síria, informou que “unidades do exército intensificaram seus ataques a centros de concentração e linhas de suprimento de organizações terroristas apoiadas pelo regime de Erdogan na província de Aleppo, no oeste do país e no sudeste de Idleb”.
O correspondente local informou que os bombardeios de foguetes e artilharia atingiram terroristas nas proximidades da cidade de Qominas, no Monte Arbayeen e nos arredores das cidades de Ariha, Kafranubol, onde as fortificações e o quartel general dos terroristas foram destruídos.
ENTENDA O CASO
Os militares turcos lançaram ataques conjuntos de artilharia e terrestres com vários grupos terroristas contra o Exército sírio na província de Idlib. Entretanto, os ataques falharam e dois soldados turcos foram mortos.
“Grupos terroristas lançaram diversos ataques massivos” contra o Exército da Síria “nos quais utilizaram um grande número de veículos blindados” e contaram com “fogo de artilharia das Forças Armadas turcas”, um apoio que lhes permitiu “romper a defesa” dos militares sírios, comunicou o Centro Russo de Reconciliação na Síria.
Em resposta aos ataques dos terroristas, caças russos Su-24 destruíram um tanque, seis veículos de combate de infantaria e cinco caminhonetes utilizadas durante a ofensiva contra as forças de Bashar Assad.
O apoio russo ajudou o Exército sírio a repelir todos os ataques, porém quatro militares sírios foram feridos pela artilharia turca.
O Ministério da Defesa da Turquia informou sobre dois mortos e cinco feridos entre seu efetivo, citando dados de suas fontes na região, que indicam que o ataque causou 50 baixas entre as forças sírias, além de destruir cinco tanques e outros equipamentos bélicos.
ERDOGAN QUER GUERRA
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, considera atuais embates na província Idlib como uma guerra.
Além disso, Erdogan afirmou que as tropas de seu país não se retirarão da província síria enquanto continuar a “violência” por parte de Damasco.
“De acordo com os últimos dados, até o momento foram neutralizados 150 elementos do regime [referência ao governo sírio], foram destruídos 12 tanques, 3 blindados de transporte de tropas, 14 obuseiros e 2 picapes. Não sairemos da região de Idlib enquanto o regime não parar sua agressão contra a população de Idlib. Só nesse caso será possível um cessar-fogo”, afirmou Erdogan.
Os ataques turcos seriam uma resposta ao ataque aéreo sírio que tirou a vida de dois militares turcos, conforme publicou a agência Anadolu.
A autoridade turca também disse que suas futuras medidas em relação à crise em Idlib irão depender das conversações a serem realizadas nesta sexta-feira (21) com o presidente russo, Vladimir Putin.
Por sua vez, os líderes da França e Alemanha, Emmanuel Macron e Angela Merkel, propuseram um encontro com a presença dos mesmos e dos presidentes russo e turco no próximo dia 5 em Istambul para se chegar a um acordo de paz em Idlib.
É válido ressaltar que, anteriormente, Erdogan levantou a hipótese de a Turquia iniciar uma operação em Idlib, tendo em vista que as conversações entre os líderes para resolução da crise “não teriam tido resultado satisfatório”.
ESCALADA DE TENSÕES
Apesar de a Turquia ter realizado uma operação militar no território sírio contra forças curdas ainda no ano passado, as relações entre o país e a Síria pioraram neste ano.
A razão disso teriam sido os embates entre o Exército sírio e os militares turcos no norte do país árabe.
Na ocasião, as forças do presidente Bashar Assad avançaram pelas províncias de Idlib e Aleppo, retomando áreas há anos fora do controle de Damasco.








