O desenvolvimento de uma vacina contra a MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) que se propagou na Arábia Saudita em 2012, foi fundamental para que os pesquisadores da Rússia conseguissem desenvolver uma versão para combater o novo coronavírus.
Foi com base nessa experiência, com um medicamento já existente, que os cientistas do Centro Gamaleya conseguiram criar a Sputnik V, que já está sendo utilizada na campanha de vacinação em massa na Rússia.
“Tivemos uma trabalho extenso para desenvolver a vacina contra o coronavírus causador da MERS”, lembra o virologista Feliks Ershov, do Centro de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, citado em reportagem da agência Sputnik News.
ENTENDA A VACINA
Na vacina contra o novo coronavírus, o Centro Gamaleya utiliza dois vetores desenvolvidos desde 2015. O método utiliza o adenovírus, um vírus que provoca doenças respiratórias e, portanto, já está presente no sistema respiratório humano.
Com isso, o adenovírus é usado para transportar o material genético de outro vírus para as células.
O que os pesquisadores russos fizeram foi inserir o fragmento do gene com o código da proteína do novo coronavírus dentro de um vírus resfriado comum.
A vacina será aplicada em duas doses, usando versões diferentes do adenovírus, com intervalo de 21 dias.
“A Rússia já tinha experiência do desenvolvimento de vacinas vetoriais. Nós tínhamos a base. Por isso, não foi necessário começar do zero”, disse o virologista.
O pesquisador assegurou que a vacina “não tem efeitos colaterais, é tolerante e eficaz”. “Ela estimula o sistema imunológico e gera a reprodução de anticorpos, criando imunidade”, explica Ershov.
Os cientistas prometem publicar brevemente as informações sobre os testes pré-clínicos e clínicos do medicamento, que ainda enfrenta desconfiança por parte da comunidade científica no ocidente.








