Comitê diz que fundador do site Wikileaks foi preso arbitrariamente em Londres |
Da redação com agências internacionais |
Um comitê de especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) determinou que o fundador do site Wikileaks, Julian Assange, foi “detido arbitrariamente” em Londres. A informação foi divulgada pela rede britânica BBC nesta quinta-feira (04/02).
A ONU não estava disponível de imediato para comentar a notícia em Genebra, onde o Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU discutia uma ação impetrada por Assange.
Assange, de 44 anos, é investigado na Suécia por alegações de estupro em 2010, que ele nega.
O australiano se refugiou na embaixada do Equador em Londres em junho de 2012 para evitar se extraditado.
Mais cedo nesta quinta, Assange disse em mensagem publicada na conte do Wikileaks no Twitter que deixaria a embaixada e aceitaria ser preso se perdesse a ação na ONU.
“Se a ONU anunciar amanhã (sexta-feira) que perdi meu caso contra o Reino Unido e a Suécia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a detenção por parte da polícia britânica, já que uma apelação não parece possível”, explicou Assange, segundo a agência France Presse.
O australiano, de 44 anos, completou no dia 19 de junho do ano passado três anos refugiado na embaixada equatoriana em Londres, ao término de um longo processo legal no Reino Unido, que decidiu por sua extradição à Suécia, onde é investigado por crimes sexuais.
O Equador ofereceu asilo a ele, mas Assange pode ser preso imediatamente se pisar em solo britânico. Durante anos, policiais permaneceram mobilizados em frente à embaixada a um custo de milhares de libras.
O australiano teme que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter revelado milhares documentos diplomáticos e militares americanos no site WikiLeaks.
Assange fundou o WikiLeaks em 2006, e suas atividades, incluindo a divulgação de 500 mil arquivos militares secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e 250 mil correspondências diplomáticas, enfureceram os Estados Unidos.
A principal fonte dos vazamentos, o soldado do exército americano Chelsea Manning, foi condenado a 35 anos de prisão por violações da Lei de Espionagem.
O WikiLeaks disse que a manipulação feita pela Suécia em seu caso manchou a reputação do país no que diz respeito aos direitos humanos.
Assange apresentou em 2014 ante o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias (WGAD) uma demanda contra Suécia e Reino Unido, alegando que seu confinamento na embaixada equatoriana (da qual não podia sair porque o Reino Unido lhe negava um salvo-conduto) constituía uma detenção ilegal.
Em Quito, o ministro das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, disse na quarta (03/02) que estava “preocupado” com a saúde de Assange e afirmou que o ativista sofre com problemas de saúde pelos quais deve se submeter a uma revisão médica fora da embaixada.
O responsável pela diplomacia equatoriana insistiu que espera “somente que o Reino Unido possa oferecer o salvo-conduto” para que Assange possa viajar ao Equador, segundo divulgou a agência EFE.








