O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em entrevista à emissora norte-americana Fox News que pretende assumir o controle total da Faixa de Gaza, como forma de garantir a segurança de Israel. A declaração foi dada antes de uma reunião do gabinete de segurança israelense nesta quinta-feira (7).
Segundo Netanyahu, o objetivo é eliminar o Hamas e entregar o controle do território a uma administração civil que não tenha vínculos com o grupo nem represente ameaça a Israel. “Queremos libertar o povo de Gaza do terror do Hamas”, declarou.
Apesar disso, ele negou que Israel deseje manter a administração direta da região: “Não queremos governar Gaza. Queremos apenas um perímetro de segurança.”
As declarações ocorrem após o colapso das negociações indiretas com o Hamas sobre um cessar-fogo e libertação de reféns. Recentemente, grupos armados palestinos divulgaram vídeos de dois reféns israelenses com aparência debilitada, aumentando a tensão.
Atualmente, Israel controla cerca de 75% do território de Gaza, mas ainda não avançou na Cidade de Gaza nem em áreas centrais densamente povoadas, onde estima-se que ainda haja reféns vivos. Segundo a ONU, 87% da região está militarizada ou sob ordens de evacuação.
A mídia israelense indica que Netanyahu tenta apoio interno para ampliar a ofensiva e reocupar completamente a Faixa de Gaza — plano que, se concretizado, pode representar uma nova escalada militar e colocar em risco milhares de civis palestinos já deslocados.
Em comunicado, o Hamas acusou Netanyahu de estar promovendo uma política de “genocídio e deslocamento” e de sabotar as negociações em curso, inclusive colocando em risco a vida dos reféns israelenses. O grupo afirmou que o premiê age por “interesses pessoais”.
As famílias dos reféns, por sua vez, protestaram em frente ao gabinete de Netanyahu em Jerusalém, com cartazes e fotos de seus parentes. Segundo o jornal Ma’ariv, a expectativa dentro do Exército é que “a maioria, senão todos os reféns vivos, morram” caso a ofensiva seja ampliada.
O chefe do Estado-Maior israelense, tenente-general Eyal Zamir, se opôs publicamente ao plano de ocupação total, alertando que seria “cair numa armadilha”. Já o líder da oposição, Yair Lapid, chamou a proposta de “outro caminho para a guerra” e “mais reféns mortos”, além de criticar o alto custo financeiro.
A possibilidade de uma reocupação também gera desconforto entre aliados internacionais. Mesmo assim, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, afirmou que cabe exclusivamente ao governo israelense decidir sobre o futuro de Gaza. “A população de Gaza não deve ser forçada a sair”, disse ele à CBS News.
Da Agência Fonte Exclusiva.








