A Organização dos Estados Americanos (OEA) deveria representar os interesses de todos os países membros, mas a entidade está sendo acusada de servir apenas aos interesses dos EUA.
A organização estaria à serviço direto do neoliberalismo da Casa Branca, criando toda forma de obstáculos aos governos populares do continente latino-americano, segundo denúncia de alguns chefes de Estado.
Esta atuação parcial levou o presidente da Argentina, Alberto Fernández, por exemplo, a afirmar que a OEA é “um esquadrão” que avança sobre os “governos populares” de toda a América Latina.
As afirmações do presidente argentino foram registradas durante evento virtual realizado na sexta-feira (30), pelo segundo aniversário do Grupo de Puebla, fórum político e acadêmico composto por representantes políticos de esquerda do mundo.
Fernández condenou, em termos duros, a posição da OEA ao apoio incondicional que recebe dos Estados Unidos contra os latino-americanos, além de criticar o secretário-geral da entidade, Luis Almagro.
“O primeiro que deve fazer sua mea culpa é o secretário-geral Luis Almagro, pela quantidade de coisas que fez e também pelo arcabouço institucional dos Estados Unidos, que o apoiou”, disse.
DONALD TRUMP USOU A OEA
Fernández denunciou que durante anos o governo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impediu que o órgão desempenhasse um papel que contribuísse para a união latino-americana.
Ele explicou que o ex-presidente republicano impôs sua política à América Latina para avançar em direção aos seus próprios objetivos, citando o papel fundamental da OEA no golpe de Estado contra o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, em 2019.
Transcorridos dois anos do episódio, Fernandez cobra julgamentos para que os responsáveis prestem contas à justiça.
Para conter o aparelhamento da OEA por parte dos governos norte-americanos, o presidente da Argentina sugeriu ao Grupo de Puebla a criação de uma nova entidade regional, por meio da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
Durante o evento, Fernández denunciou as sanções impostas pelos EUA à Venezuela e a Cuba, destacando que a América Latina tem uma “obrigação moral e um dever ético” contra as medidas coercitivas. “Os bloqueios devem embaraçar aqueles que os promovem”, disse.

APOIO AO GOLPE NA BOLÍVIA
A OEA é acusada de atuar no golpe da Bolívia, que destituiu o governo Morales, com amplo apoio dos EUA. A mesma estratégia estaria por detrás da tentativa de intervenção militar na Venezuela e as mais recentes medidas para coagir o governo de Cuba.
Vários países latino-americanos alertam sobre as consequências das conspirações da entidade que está sediada nos Estados Unidos.
*Da redação da Agência VIU! com HispanTV.







