Saiba como as multinacionais norte-americanas usam os paraísos fiscais para estacionar dinheiro e driblar o fisco:
Um novo estudo realizado por economistas e especialistas de primeira linha descobriu que a evasão fiscal nos EUA se traduz em centenas de bilhões de dólares em impostos não pagos a cada ano, com o dinheiro acabando nos bolsos das pessoas mais ricas do mundo.
O artigo intitulado The Exorbitant Tax Privilege é uma co-autoria de Thomas Wright e do economista Gabriel Zucman, da Universidade da Califórnia em Berkeley, uma das maiores autoridades do mundo em paraísos fiscais.
METADE DOS LUCROS GERADOS EM PARAÍSOS FISCAIS
A pesquisa mostra que quase 50% dos lucros das multinacionais norte-americanas atualmente são gerados em paraísos fiscais, enquanto que em 1970 o número era inferior a 10%.
As corporações efetivamente pagam ao governo dos EUA alíquotas de 27% sobre os lucros gerados em paraísos fiscais e 7% aos paraísos fiscais nos quais estão sediadas.
De acordo com James Henry, economista investigativo e conselheiro sênior da Tax Justice Network, os ricos cleptocratas, tax-dodgers e empresas multinacionais dos Estados Unidos têm estacionado maciçamente dinheiro no exterior. Ele destaca que, em 2017, as multinacionais americanas “acumularam cerca de US$ 2,6 trilhões no exterior, evitando pagar os 35% do imposto corporativo dos EUA”.
Desde o início dos anos 90, a taxa paga por multinacionais norte-americanas não petrolíferas em lucros estrangeiros caiu de 35% para 20%. Da mesma forma, a taxa de impostos paga por empresas de petróleo dos EUA a governos estrangeiros caiu de uma média de 70%, antes da Guerra do Golfo em 1991, para 45%. Isso, segundo Zucman e Wright, pode ser um reflexo “do retorno da proteção militar concedida pelos Estados Unidos aos Estados produtores de petróleo”.
PAÍS TEM A MAIOR DÍVIDA EXTERNA DO MUNDO: US$ 8 TRILHÕES
A dívida externa acumulada dos EUA excede a de qualquer outro país, situando-se em cerca de US$ 8 trilhões, ou mais de 40% do produto interno bruto (PIB) do país. Esses US$ 8 trilhões são a diferença entre US$ 35 trilhões em investimentos estrangeiros em ativos dos EUA e US$ 27 trilhões de investimentos norte-americanos em ativos estrangeiros.
Os autores do estudo estimaram que quase metade da diferença entre os retornos dos EUA e os retornos externos pode ser atribuída a taxas de imposto anormalmente baixas para as multinacionais americanas, graças ao poder dos EUA e aos paraísos fiscais. “O privilégio fiscal se traduz em cerca de US$ 180 bilhões por ano, ou quase um por cento do PIB dos EUA”, concluiu a pesquisa.
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