Com eleição de Bolsonaro pautada no combate ao crime, facções brasileiras já procuram abrigo no país vizinho; Leia mais:
Roubos espetaculares, execuções, tiroteios, um suposto carro-bomba detonado pela Polícia, prisões de traficantes que, mesmo presos, desafiam as autoridades e as acusam de corruptas: o Paraguai se vê sacudido pelas facções criminosas brasileiras, segundo informa reportagem especial da agência de notícias francesa AFP.
Tradicional rota de fuga de Brasil e Argentina, países com os quais divide fronteiras extremamente permeáveis, o Paraguai reforçou seu alerta diante da presença cada vez mais ativa de integrantes de duas poderosas facções criminosas brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.
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Arquivo TV Brasil: Publicado no Youtube em 24 de abr de 2017
“Temos informação da Inteligência brasileira sobre um plano de fuga em massa dos principais líderes do Comando Vermelho e do PCC para o Paraguai. É possível que o resultado das eleições no Brasil nos obrigue a redobrar o controle”, disse o promotor Hugo Volpe.
O promotor está ameaçado de morte por ter prendido vários “chefões” do crime. “Presume-se”, explicou, “que eles estejam com medo do que possa acontecer em seu país” depois da vitória de Jair Bolsonaro, eleito com a promessa de combater com mão de ferro o crime e a violência.
BANDIDOS BRASILEIROS ENCAPUZADOS AMEAÇAM AUTORIDADES
A imprensa local divulgou na semana passada um vídeo com o selo do Comando Vermelho, no qual homens encapuzados, falando em português, ameaçam de morte a procuradora-geral Sandra Quiñónez.
A funcionária admitiu que o filme estava em poder da Polícia desde 24 de outubro e que foi apreendido em uma operação nas imediações da tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina). No local foram mortos três brasileiros, supostos membros do CV.
Na operação foram apreendidas armas, dinheiro, drogas e, o que chamou mais atenção: um carro com 80 quilos de dinamite em gel. Os investigadores concluíram que se pretendia usar o explosivo no Grupamento de Polícia Especializada em Assunção para facilitar a fuga do chefe da quadrilha, Marcelo Pinheiro, aliás “Marcelo Piloto”.
O potencial destrutivo destas facções já é conhecida no Paraguai.
EXPLOSÃO DE CARROS E ROUBO DE US$ 12 MILHÕES
Em 24 de abril de 2017, integrantes do PCC paralisaram Ciudad del Este, a segunda metrópole mais populosa do país, na tríplice fronteira com Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina).
Como manobra dissuasiva, detonaram vários carros com bomba incendiária em locais estratégicos da cidade, ao mesmo tempo em que explodiram a sede de uma transportadora de valores.
No assalto, levaram US$ 12 milhões e mataram um policial. Nenhum dos 50 integrantes do comando foi capturado. No entanto, cinco deles morreram em sua fuga no território brasileiro.

“NÃO SOU TERRORISTA, SOU COMERCIANTE DE ARMAS”, DIZ TRAFICANTE BRASILEIRO
“Eu não sou terrorista. Nós temos códigos. Eu sou comerciante de armas e drogas. Não sou terrorista”, disse na terça-feira em uma incomum coletiva de imprensa “Marcelo Piloto”, falando da prisão paraguaia em que está confinado.
Ele acusou a Polícia de corrupção. “O Paraguai é o país da impunidade e da corrupção”, afirmou, após acusar o chefe de Investigações Policiais, Abel Cañete, de tê-lo extorquido em US$ 200.000 para protegê-lo da Polícia Federal brasileira.
Para o ministro do Interior, Juan Villamayor, o bandido brasileiro tenta forçar uma acusação criminal no Paraguai para evitar sua extradição.
CORRUPÇÃO POLICIAL DIFICULTA COMBATE AO CRIME
O ex-ministro do Interior, Francisco de Vargas, ex-chefe antidrogas e ex-promotor, admite que a corrupção na Polícia é inegável, embora esclareça que “não é institucional”.
“Os controles internos para melhorar a luta contra essas facções brasileiras têm que ser fortalecidos”, destacou.
“O Paraguai é uma espécie de plataforma continental de armas, drogas que vêm da Colômbia, Peru e Bolívia para sua distribuição no Brasil e sua reexportação a outros países”, explicou.
Vargas participou de operações bem sucedidas captura no Paraguai de importantes chefões brasileiros como Jarvis Chimenes Pavão, Pingo Soligo e Iván Méndez Mesquita, entre outros.
Este último, considerado o “czar da cocaína”, foi extraditado para os Estados Unidos.
PCC E COMANDO VERMELHO TEM MAIS SOLDADOS DO QUE A POLÍCIA
O PCC e o Comando Vermelho são as maiores organizações criminosas do Brasil. O PCC “teria mais soldados ou integrantes que nossa Polícia Nacional”, afirmou De Vargas.
“Escolhem o Paraguai pelas facilidades que que encontram para se dedicar às suas atividades criminosas”, afirmou.
O ex-promotor, ex-senador e atual ministro antidrogas, Arnaldo Giuzzio, admite que o Paraguai “tem organismos de segurança frágeis, devido à pouca institucionalidade, que faz permear a corrupção”.
“Nossa missão é identificar, neutralizar e expulsar” os delinquentes, afirma.
Para o analista político-militar Horacio Galeano há 800 membros de quadrilhas brasileiras morando no Paraguai.
DEPUTADO BRASILEIRO PROPÕE CONSTRUÇÃO DE MURO
O deputado Márcio Tadeu de Lemos (PSL), sugeriu ao presidente eleito Bolsonaro a construção de um muro na fronteira para deter os traficantes e os contrabandistas.
“Sem entrar na parte doutrinária, que a gente o ame ou o odeie, o novo presidente brasileiro promete ser duro. É a agenda que ele recebeu e pela qual chegou à Presidência”, afirmou o analista Galeano.
*AFP








