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Especialistas avaliam chance de ataque nuclear da Rússia após ofensiva da Ucrânia

Operação ousada de drones ucranianos gerou pedidos por represália nuclear de blogueiros pró-Rússia e apresentadores de TV

redacao Por redacao
05/06/2025 - 08:32
em Mundo
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russia ataque nuclear ucrania

Imagem de contador Geiger perto do incêndio em Chernobyl mostra leitura de radiação pouco abaixo do máximo permitido de 0,5 µSv/h • Yaroslav Emelianenko/ AFP/ Getty Images

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A Rússia prometeu responder aos ataques com drones da Ucrânia contra aviões bombardeiros estratégicos, segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele e o presidente russo, Vladimir Putin, conversaram por telefone após a ofensiva ucraniana.

Segundo estimativas da Ucrânia, mais de 40 aviões foram atingidos, gerando prejuízo de US$ 7 bilhões. Entretanto, autoridades dos EUA afirmaram à agência Reuters que cerca de 20 aeronaves foram impactadas, sendo que 10 foram destruídas.

De toda forma, esse e outros ataques do Exército ucraniano podem ser considerados nas negociações de paz. Além disso, fica a questão: como a Rússia vai responder e retaliar a Ucrânia?

Qual a probabilidade de um ataque nuclear da Rússia?

Após os ataques da Ucrânia, blogueiros pró-Rússia e apresentadores de TV pediram por uma represália, incluindo com uma ofensiva nucelar.

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Especialistas russos avaliaram que a destruição dos bombardeiros estratégicos pode ser interpretada como uma violação do “limite legal” estabelecido por Moscou para uso de armas nucleares.

A doutrina nuclear recentemente atualizada do Kremlin – que estabelece as condições para uso de armas do tipo – afirma que qualquer ataque a uma infraestrutura militar “criticamente importante” que “interrompa as ações de resposta das forças nucleares” pode desencadear uma retaliação nuclear.

Ainda assim, especialistas ouvidos pela CNN avaliaram que a probabilidade de um ataque nuclear da Rússia é muito baixa.

Vitelio Brustolin, pesquisador de Harvard e da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que a Rússia ficaria isolada internacionalmente, podendo quebrar relações, inclusive, com aliados como China e Índia, que já se posicionaram contra o uso de armamento nuclear.

O especialista também avalia que o uso de armas nucleares táticas — que possuem menor poder de destruição — não traria grande vantagem no campo de batalha para a Rússia.

“Isso não alteraria a linha de frente, apenas isolaria um pedaço da Ucrânia por um determinado período”, comentou.

Leandro Consentino, especialista em Relações Internacionais e professor do Insper, ressalta que o uso de armas nucleares traria um impacto geopolítico muito grande e que causaria “consequências bem preocupantes para a própria dinâmica do sistema internacional atual”.

“[A utilização de armas nucleares] é uma consequência bastante danosa, sobretudo de um desequilíbrio cada vez maior do ponto de vista geopolítico entre as potências, levando em consideração uma ameaça muito forte”, destacou.

Comparando com o ataque dos Estados Unidos a Hiroshima e Nagasaki no Japão no final da Segunda Guerra Mundial, o professor pondera que aquela ofensiva ocorreu em um cenário muito específico, principalmente para passar uma mensagem para a União Soviética, algo que não deve se repetir nesse momento.

Além disso, Brustolin pontua que as chamadas armas nucleares estratégias — como as usadas pelos EUA — não seriam consideradas pelo governo russo, pois o nível de destruição causado e de radiação liberado poderia iniciar uma guerra muito maior.

Radiação se espalharia pela Europa

Ambos os especialistas avaliam ainda que outro ponto que pode fazer com que a Rússia decida por não realizar um ataque nuclear é a radiação.

Consentino e Brustolin pontuam que o próprio território russo poderia ser contaminado pela radiação, dependendo de qual região da Ucrânia fosse atacada.

“A radiação se espalharia para outros países da Europa, inclusive membros da Otan, e também para a Rússia. Se espalharia por meio de chuvas, por meio do vento… nós vimos o risco da radiação se espalhar por grande parte da Europa, por exemplo, no acidente de Chernobyl”, comentou Vitelio.

A contaminação de países da Otan, a aliança militar ocidental, também poderia gerar uma resposta do bloco comandado pelos Estados Unidos, que poderia avaliar a ação como uma ameaça à existência de seus integrantes, o que não é o objetivo do governo russo.

Armas nucleares como instrumento de dissuasão

Assim, os especialistas avaliam que a ameaça do uso de armas nucleares ainda é um ponto de dissuasão — capacidade de influenciar adversários a não tomarem determinadas medidas — usado pela Rússia.

É uma forma de o governo russo mostrar força e também garantir que não sejam adotadas medidas que podem colocar em risco a integridade territorial do país.

“Falamos em ataques nucleares, mas mais como algo como dissuasão do que de fato como algo efetivo a ser utilizado. Então acho que a retórica continua, mas a probabilidade é muito baixa do lançamento desse tipo de armamento”, pontua Leandro Consentino.

Vitelio Brustolin, por sua vez, ressalta que a ameaça nuclear dá Rússia é utilizada há muito tempo como instrumento de “chantagem”, não apenas por Vladimir Putin, mas como seus aliados.

“Essa chantagem nuclear já era esperada e isso não é novidade, isso a gente está testemunhando há três anos e três meses já”, conclui o professor.

Retaliação russa

Por fim, Brustolin e Consentino ressaltam ser mais provável que a Rússia responda com armas convencionais, como bombas de fragmentação e armas termobáricas.

Em novembro de 2024, o Exército de Vladimir Putin usou um novo míssil balístico hipersônico, que recebeu o nome de “Oreshnik”.

Já naquela época, Putin havia alertado que o novo dispositivo poderia ser utilizado outra vez, chamando atenção para seu potencial de destruição.

A Rússia também pode intensificar os ataques com drones e ter como alvo, por exemplo, infraestruturas críticas da Ucrânia, como instalações de geração de energia.

Da Agência Fonte Exclusiva.

 

Tags: #Ataque Nuclear#Guerra da UcrâniaRússia
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