Relações internacionais não é jogo para amadores, porque neste ambiente as pedras se movem na velocidade do pensamento.
É justamente a velocidade das mudanças ditadas por um mundo multipolar que está deslocando a hegemonia dos EUA.
O lance mais recente deste movimento foi o acordo de cooperação entre a China e o Irã, por um prazo de 20 anos, o que consolida uma aliança da potência econômica asiática com uma potência do Oriente Médio.
O fato marcante desta aliança é que são dos países que estão sob sanções do governo norte-americano. Por outo lado, tanto a China quanto o Irã são parceiros da Rússia, outra nação que está fora da zona de influência da Casa Branca e em rota de colisão.
O acordo de cooperação entre China e Irã foi assinado em Teerã no dia 27 de março, devendo movimentar negócios na ordem de US$ 400 bilhões.
“A assinatura do acordo abrangente é um aviso importante para os Estados Unidos saberem que as relações internacionais estão se movendo rapidamente em detrimento da América e este país não está mais em posição de impor unilateralmente um modelo, plano ou acordo sobre países independentes”, destacou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf em entrevista reportada pela Press TV.
“O próximo século pertence à Ásia”, disse o parlamentar persa.
Ao longo de sua hegemonia, no pós-guerra fria, os EUA criaram uma doutrina com base na diplomacia da força. Assentou-se sobre um poderio bélico e militar que garantia condições de impor sua máxima “American First” por meio da força.
O dólar como moeda internacional e os instrumentos de punição através de sanções econômicas servem como trunfos adicionais. O jogo, no entanto, mudou.
China, Rússia e Irã são nações soberanas, que sobrevivem às sanções e resistem às tentativas de coerção militar.
A cooperação com o gigante asiático também será o caminho natural de nações como Venezuela, na América do Sul, criando um eixo comercial interessante.
O novo cenário muda completamente a face do panorama internacional e o grande pavor nas hostes da Casa Branca é o dia em que o dólar implodir diante de um país endividado e uma máquina de guerra que consumiu, em 20 anos, um orçamento de US$ 6 trilhões só com conflitos no Oriente Médio e no Golfo.








