Uma fotografia angustiante de um bebê com ossos aparentes e usando um saco plástico como fralda, registrada em Gaza, escancarou a gravidade da crise humanitária no território palestino. A imagem, feita pelo fotógrafo Ahmed al-Arini, viralizou nas redes e despertou atenção internacional para o drama da fome extrema enfrentada por milhares de crianças.
De acordo com Ahmed, a criança e sua mãe vivem em uma tenda improvisada, “vazia como um túmulo”, sem acesso a comida, água potável ou itens básicos. “Levei tempo para tirar as fotos, precisava parar para respirar entre uma imagem e outra”, disse ele.
O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, confirmou que nove pessoas morreram de desnutrição em apenas 24 horas, somando 122 mortes desde o início da guerra — incluindo 83 crianças.
Um dos casos mais alarmantes é o de Muhammad, um bebê de apenas um ano, que chupa uma mamadeira vazia e pesa apenas 6 kg. Sua mãe, Hedaya al-Muta’wi, relatou que o menino perdeu 3 kg e não consegue mais sentar ou ficar em pé devido à fraqueza muscular causada pela fome. Viúva e sozinha, ela tenta conseguir leite em pó para alimentá-lo, mas os preços são altos demais. “Estou exausta. Não consigo cuidar dele sozinha”, desabafa.
Segundo a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), uma em cada cinco crianças na Cidade de Gaza já está desnutrida. O diretor do hospital al-Shifa, Hassan al-Shaer, alerta que a desnutrição agora atinge todas as idades, com escassez total de medicamentos e alimentos.
A repórter Smitha Mundasad, da BBC, explica que a fome extrema enfraquece o sistema imunológico e pode ser fatal, especialmente para crianças pequenas. Doenças comuns, como resfriados e diarreia, tornam-se letais em casos graves de desnutrição. A condição conhecida como Kwashiorkor provoca inchaços na barriga e no rosto, mesmo quando o corpo está severamente magro.
Ajuda aérea e pressão internacional
Diante da crise, Jordânia e Emirados Árabes Unidos devem iniciar lançamentos aéreos de ajuda humanitária nos próximos dias, segundo a rádio do Exército de Israel. No entanto, especialistas alertam que esse método é limitado e pode ser perigoso — há relatos de civis feridos por caixas ou mortos ao tentarem resgatar suprimentos caídos no mar.
Em um comunicado conjunto nesta sexta-feira (25), Reino Unido, França e Alemanha exigiram um cessar-fogo imediato, a liberação de todos os reféns e o acesso irrestrito para agências humanitárias. Os países também pediram que Israel cumpra o Direito Internacional Humanitário.
“A população de Gaza não está viva nem morta. São cadáveres ambulantes”, descreveu um representante da UNRWA. Mais de 100 organizações de direitos humanos reforçaram o alerta para o risco iminente de fome em massa no território.
Israel nega cerco à Faixa de Gaza e atribui a responsabilidade ao Hamas. A ONU, porém, afirma que a entrada de ajuda permanece irregular e insuficiente, com a crise atingindo níveis nunca vistos.
Da Agência Fonte Exclusiva.








