O crescimento das plataformas de apostas on-line no Brasil tem sido acompanhado por um aumento relevante de dificuldades financeiras entre usuários. Levantamento do Procon-SP indica que quatro em cada dez pessoas que realizaram apostas virtuais — conhecidas como “bets” — acabaram contraindo dívidas.
A pesquisa avaliou padrões de consumo e o peso da publicidade sobre o comportamento dos apostadores. Segundo o órgão, a ampla exposição das casas de apostas em redes sociais, transmissões esportivas, uniformes de clubes, estádios e na televisão exerce forte influência sobre o público.
Mais da metade dos entrevistados declarou sentir-se impactada por campanhas com celebridades, enquanto oito em cada dez afirmaram ter recebido ofertas de jogos diretamente no celular ou pelas redes sociais.
De acordo com a assessora técnica do Procon-SP, Nilciane Zalpa, muitos consumidores não buscavam esse tipo de serviço de forma ativa. A presença constante de anúncios patrocinados em jogos, sites e mecanismos de busca, explica, amplia o alcance das plataformas e estimula o acesso quase automático às apostas.
O perfil predominante entre os apostadores é formado por homens de até 44 anos, com renda de até dois salários mínimos. Em relação à edição anterior do levantamento, houve crescimento nos valores gastos: três em cada dez participantes disseram desembolsar mais de R$ 1 mil por mês com apostas on-line.
Entre os que relataram endividamento, o cenário muda. A incidência é maior entre mulheres de até 30 anos, também com renda de até dois salários mínimos, que admitiram ter apostado acima da própria capacidade financeira.
Mais da metade dos entrevistados que já participaram de apostas afirmou ter comprometido parte significativa da renda, resgatado investimentos ou contratado empréstimos para continuar jogando.
Os dados mostram ainda que sete em cada dez apostadores acumulam mais perdas do que ganhos. Entre os que relataram lucro, a maioria disse ter enfrentado dificuldades posteriores com as empresas responsáveis pelas plataformas, principalmente em relação à demora ou negativa no pagamento de prêmios.
Para o Procon-SP, é essencial que o público compreenda que apostas configuram entretenimento, não investimento.
O órgão alerta que a publicidade frequentemente associa o jogo a promessas de enriquecimento e a um estilo de vida ligado a celebridades, criando expectativas irreais de retorno financeiro — cenário que contrasta com a experiência de prejuízo relatada por grande parte dos participantes.
A instituição reforça que os apostadores são protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e orienta que verifiquem se a operadora está autorizada a atuar no país.
Também disponibiliza, em seu site, uma cartilha com informações e recomendações para quem participa desse tipo de atividade.
*Da Agência: Fonte Exclusiva








