A preservação da memória e o reconhecimento das vítimas da ditadura militar brasileira permanecem desafios centrais, mesmo 62 anos após o golpe que instaurou um regime autoritário no país.
A busca por justiça e por informações sobre desaparecimentos e assassinatos políticos segue em curso.
Segundo a Comissão Nacional da Verdade, que encerrou suas atividades em 2014, 434 pessoas foram mortas ou desapareceram durante o período militar, sendo que mais de 200 ainda não tiveram seus restos mortais localizados e devolvidos às famílias.
Ativistas como Ivan Seixas, ex-preso político, destacam a importância de manter o registro histórico desses crimes e de continuar a esperança de localizar os corpos.
Em 2024, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos retomou suas atividades, reforçando o compromisso com a memória histórica.
A comissão comemorou 30 anos de atuação com a identificação de dois corpos em uma vala clandestina no cemitério de Perus, em São Paulo: Grenaldo de Jesus, marinheiro perseguido pelo regime, e Dênis Casemiro, operário e militante da Vanguarda Popular Revolucionária.
A procuradora Eugênia Gonzaga, presidente da comissão, ressaltou que a abertura completa dos arquivos militares ainda é pendente, sendo fundamental para que as famílias obtenham respostas sobre as circunstâncias das mortes e os locais de sepultamento.
Casos emblemáticos, como a Guerrilha do Araguaia, em 1973, no Tocantins, também são lembrados.
A professora Victória Grabois, hoje com 82 anos, relata a importância de combater o silenciamento histórico, mesmo diante da incerteza sobre respostas concretas.
Entre as ações da comissão está a retificação de atestados de óbito das vítimas, reconhecendo oficialmente a responsabilidade do Estado.
Além de militantes políticos, estima-se que aproximadamente 1.200 camponeses e 8.300 indígenas também foram vítimas da repressão, mas obstáculos legais ainda dificultam o reconhecimento formal pelo Estado.
*Da Agência Fonte Exclusiva








