Um novo retrato da educação infantil pública no Brasil revela um cenário ainda marcado por deficiências estruturais relevantes, mesmo diante de avanços recentes em políticas de ampliação do acesso.
Dados do Censo Escolar de 2025, disponibilizados pela plataforma QEdu, indicam que a maior parte das creches e pré-escolas públicas ainda não conta com condições consideradas básicas para funcionamento adequado.
De acordo com o levantamento, apenas 17% das unidades de educação infantil públicas possuem os 11 itens de infraestrutura definidos como essenciais pela legislação.
Entre eles estão acesso à energia elétrica, água encanada, saneamento básico, cozinha, alimentação escolar, coleta de lixo, acessibilidade, internet, biblioteca ou sala de leitura e prédio escolar adequado.
Um dos principais déficits identificados é a ausência de bibliotecas ou salas de leitura, presente em 64% das unidades. O abastecimento de água também preocupa: 33% das escolas não estão ligadas à rede pública. Já 4% ainda não possuem rede de esgoto, evidenciando fragilidades básicas de saneamento.
Em contrapartida, a alimentação escolar aparece como o único item universalizado, estando presente em todas as unidades de educação infantil do país.
Quando são considerados critérios adicionais de qualidade, o cenário se torna ainda mais restritivo. Apenas 12% das escolas públicas possuem conjunto completo de itens como parque infantil, área verde, brinquedos pedagógicos e materiais artísticos.
Menos da metade conta com parque infantil (45%) ou áreas verdes (36%), enquanto 83% dispõem de jogos e brinquedos pedagógicos.
Os dados foram incorporados à plataforma QEdu, que reúne indicadores da educação básica e permite análises comparativas entre municípios, estados e regiões. A iniciativa resulta de parcerias entre organizações da sociedade civil e instituições ligadas à área educacional.
O levantamento também se relaciona com dados de acesso à educação infantil, que apontam que em 16% dos municípios brasileiros ainda há pelo menos uma em cada dez crianças de 4 e 5 anos fora da escola, evidenciando desafios tanto de cobertura quanto de qualidade.
Especialistas envolvidos na análise destacam que a educação infantil desempenha papel central no desenvolvimento cognitivo e social das crianças, sendo fundamental para reduzir desigualdades educacionais desde os primeiros anos de vida.
Procurado, o Ministério da Educação afirmou que vem ampliando investimentos e programas voltados à expansão e qualificação da educação infantil.
Entre as iniciativas estão o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil e ações do Novo PAC, voltadas à construção e conclusão de unidades escolares.
Segundo a pasta, centenas de unidades já foram entregues e outras estão em fase de execução ou planejamento, com foco na ampliação de vagas e melhoria da infraestrutura.
O conjunto dos dados reforça que, apesar da expansão do acesso à educação infantil nos últimos anos, a melhoria da infraestrutura das unidades segue como um dos principais desafios da política educacional brasileira.
*Da Agência Fonte Exclusiva








