A redução do desmatamento, o avanço das fontes renováveis e a busca por recursos internacionais para proteger as florestas estarão entre os principais temas apresentados pelo Brasil na COP31.
O encontro climático das Nações Unidas está previsto para ocorrer de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia, reunindo representantes de diferentes países para discutir medidas de enfrentamento ao aquecimento global.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá participar da Cúpula de Líderes nos dias 11 e 12 de novembro. A viagem faz parte da estratégia brasileira de ampliar sua participação nas negociações internacionais e demonstrar os resultados das políticas ambientais adotadas pelo país.
A conferência acontece um ano após a COP30, realizada em Belém, no Pará, e terá como um dos desafios transformar compromissos climáticos em ações efetivas de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Presidente terá dois pronunciamentos na conferência
A programação prevê duas manifestações de Lula no dia 11 de novembro. A primeira deverá ocorrer durante a abertura da Cúpula de Líderes, em uma sessão reservada a um grupo reduzido de chefes de Estado e de governo.
O segundo discurso está previsto para a reunião ampliada, com a participação das delegações dos países presentes. Nesse momento, o presidente brasileiro deverá ter aproximadamente três minutos para apresentar suas principais mensagens.
De acordo com integrantes do Ministério das Relações Exteriores, a presença do Brasil na abertura reflete a participação do país nas negociações ambientais internacionais.
A expectativa é que Lula destaque os resultados do combate ao desmatamento, a importância da transição energética e a necessidade de ampliar os mecanismos de financiamento climático.
Preservação da Amazônia e do Cerrado terá destaque
O governo brasileiro pretende apresentar indicadores relacionados à redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. A conservação dessas áreas é considerada fundamental para diminuir as emissões de gases de efeito estufa, proteger a biodiversidade e preservar os recursos naturais.
Entre os dados previstos para a apresentação está uma estimativa de R$ 1,16 trilhão em benefícios econômicos globais associados à preservação ambiental brasileira.
O argumento do governo é que a proteção das florestas não representa apenas uma questão ambiental, mas também contribui para a estabilidade climática e para o desenvolvimento econômico.
A delegação brasileira deverá defender maior cooperação internacional para financiar iniciativas de conservação e recuperação de áreas degradadas.
Energias renováveis representam quase metade da matriz brasileira
Outro ponto da participação brasileira será a presença das fontes renováveis na matriz energética nacional.
Segundo os dados apresentados no Balanço Energético Nacional, essas fontes representaram 49,5% da matriz energética do Brasil em 2025.
O percentual supera a média mundial de 14,5%. A matriz energética considera todas as fontes utilizadas nas atividades econômicas, incluindo transportes, indústria e produção de eletricidade.
Quando a análise se concentra apenas na geração elétrica, a participação das fontes renováveis no Brasil ultrapassa 80%.
As hidrelétricas continuam sendo uma das principais fontes de eletricidade do país, com participação de 51,2% na geração, conforme os indicadores apresentados pelo governo.
Apesar dos resultados, o Brasil ainda enfrenta desafios para reduzir a dependência de combustíveis fósseis em setores como transporte e indústria.
Brasil pretende reduzir emissões em até 67% até 2035
As metas brasileiras de redução de gases de efeito estufa também deverão integrar os discursos e as negociações durante a COP31.
O país assumiu o compromisso de diminuir suas emissões entre 59% e 67% até 2035, em comparação com os níveis registrados em 2005.
A meta faz parte da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), instrumento previsto no Acordo de Paris para estabelecer os compromissos climáticos de cada país.
O governo também deverá apresentar indicadores que apontam redução de 9% nas emissões líquidas de dióxido de carbono.
A expectativa é que o Brasil defenda a ampliação dos investimentos internacionais destinados à transição energética, à conservação ambiental e à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.
Fundo de proteção às florestas terá reunião com parceiros
A agenda brasileira também deverá incluir um encontro sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
A iniciativa busca criar mecanismos permanentes de financiamento para países que preservem suas florestas tropicais.
Representantes de governos parceiros, como Noruega, Reino Unido e Países Baixos, deverão participar das discussões. Está prevista a formalização de um aporte de US$ 500 milhões dos Países Baixos ao fundo.
A proposta brasileira pretende estabelecer incentivos financeiros para a conservação florestal, associando proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.
O mecanismo também busca ampliar a participação de diferentes países no financiamento de políticas de preservação.
Lula poderá se reunir com mais de 15 líderes estrangeiros
Além das atividades relacionadas ao clima, a viagem deverá incluir encontros diplomáticos com representantes de outros governos.
Segundo informações do Itamaraty, mais de 15 líderes estrangeiros manifestaram interesse em reuniões bilaterais com o presidente brasileiro.
A realização dos encontros dependerá da organização da agenda. Entre as conversas consideradas prováveis está uma reunião com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Os encontros poderão abordar cooperação ambiental, relações econômicas e outros temas de interesse bilateral.
Presidente seguirá para compromissos na Ásia
A previsão é que Lula deixe Brasília na segunda-feira (9) e chegue a Antália na madrugada de terça-feira (10).
Após participar das atividades da COP31, o presidente deverá seguir para as Filipinas, onde estão previstos compromissos relacionados à Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A participação brasileira na conferência será uma oportunidade para apresentar resultados ambientais, defender novas fontes de financiamento e ampliar o diálogo com outros países.
O desafio das negociações será transformar os compromissos internacionais em políticas capazes de reduzir as emissões e limitar os impactos do aquecimento global.
*Da Agência Fonte Exclusiva






