A investigação sobre o acidente envolvendo um avião da Voepass que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, entrou em uma das etapas finais antes da divulgação do relatório oficial.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que aproximadamente 95% dos trabalhos já foram concluídos.
Antes da publicação do documento definitivo, a análise técnica será realizada por representantes da França e do Canadá, países diretamente ligados à fabricação da aeronave e de seus componentes. A etapa segue protocolos internacionais estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
A França participa da revisão porque o modelo ATR 72-500 envolvido no acidente foi desenvolvido e produzido no país. Já o Canadá acompanha o processo devido à fabricação dos motores utilizados pela aeronave.
Durante essa fase, especialistas do Bureau d’Enquêtes et d’Analyses pour la Sécurité de l’Aviation Civile (BEA), da França, e do Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, poderão apresentar observações técnicas sobre o relatório elaborado pelos investigadores brasileiros.
As contribuições serão analisadas pelo Cenipa antes da conclusão da versão final, que deverá ser disponibilizada ao público. Até o momento, o órgão ainda não informou uma data para a divulgação.
Investigação técnica não aponta culpados
O trabalho realizado pelo Cenipa tem como objetivo identificar fatores que contribuíram para o acidente e propor medidas de prevenção para evitar novas tragédias. A investigação possui caráter exclusivamente técnico e não tem a função de indicar responsáveis ou definir culpa.
Paralelamente, a Polícia Federal conduz uma investigação criminal para apurar possíveis irregularidades e verificar se houve ocorrência de crimes relacionados ao acidente.
Na semana passada, familiares das vítimas tiveram acesso às transcrições dos registros da cabine da aeronave, material produzido durante a perícia realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC).
Acidente matou 62 pessoas
O acidente aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando um avião ATR 72-500 da Voepass, com matrícula PS-VPB, caiu durante o trajeto entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
A aeronave caiu em uma área residencial de um condomínio em Vinhedo. Todas as 62 pessoas que estavam a bordo morreram, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
Nenhum morador da região atingida ficou ferido. A tragédia foi considerada o acidente aéreo mais grave registrado no Brasil desde a queda do voo 3054 da TAM, em 2007.
Voepass afirma colaborar com investigação
Em nota, a Voepass afirmou que o acidente representou o episódio mais difícil da história da companhia e reforçou que mantém apoio às famílias das vítimas.
A empresa declarou que segue colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação e destacou que o relatório final do Cenipa será o documento responsável por apresentar oficialmente as conclusões sobre as causas da queda.
A companhia também afirmou que a aeronave estava com a certificação de aeronavegabilidade válida no momento do acidente e que mantém seus procedimentos operacionais baseados em normas internacionais de segurança.
*Da Agência Fonte Exclusiva








