A PEC da Blindagem, que condiciona a abertura de processos criminais e prisões de parlamentares à autorização do Congresso, foi aprovada na Câmara nesta semana por 344 votos favoráveis e 133 contrários. O texto, que agora segue para análise do Senado, foi apelidado de “PEC da Bandidagem” e gerou forte reação da sociedade.
Nos dias seguintes à votação, deputados de diversos partidos — da base governista e da oposição — usaram as redes sociais para admitir erro e pedir desculpas pelo voto favorável à proposta.
Entre os arrependidos estão integrantes do PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado Pedro Campos (PSB-PE), líder de sua sigla, afirmou em vídeo que apoiou o texto para evitar o avanço de uma anistia e destravar pautas do governo, como a tarifa social de energia e mudanças no Imposto de Renda. Ele disse que o plano era retirar os pontos mais polêmicos, mas que uma “manobra” levou à aprovação do voto secreto em processos contra deputados e senadores. Campos ingressou com um pedido no STF para anular a votação.
O petista Merlong Solano (PT-PI) divulgou uma nota de retratação em que pediu desculpas ao povo do Piauí e ao partido. Segundo ele, o voto foi uma tentativa de preservar o diálogo com a presidência da Câmara, comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB).
A deputada Silvye Alves (União-GO) foi além: relatou ter sofrido pressões e ameaças de pessoas influentes do Congresso para votar a favor da PEC. Em vídeo no Instagram, afirmou que inicialmente votou contra, mas acabou mudando o voto “por covardia”. Diante da repercussão, anunciou que deixará o partido.
Já Thiago de Joaldo (PP-SE) gravou um vídeo admitindo que “a Câmara errou na mão”. O parlamentar disse que recebeu ligações de especialistas após a votação e que agora trabalhará para impedir que o texto avance no Senado.
A PEC prevê, entre outros pontos, extensão do foro privilegiado para presidentes de partidos e proibição de investigações sem aval do Congresso, o que limitaria a atuação do Supremo Tribunal Federal.
As manifestações de arrependimento ocorrem enquanto a proposta aguarda apreciação no Senado, onde já enfrenta forte resistência.
Da Agência Fonte Exclusiva.








