Fatia da estatal na petroquímica tem valor acima de R$ 5 bilhões, negociações devem ser concluídas ainda no primeiro semestre, mas a sócia Odebrecht terá preferência |
*Da Reuters
A Petrobras já está em negociações para vender sua participação na petroquímica Braskem em, segundo informações da agência de notícias Reuters, grandes petroquímicas internacionais têm interesse no ativo. A estatal, segundo informações de uma fonte de Reuters, trabalha para que o negócio seja fechado ainda no primeiro semestre.
“As conversas já começaram. A venda da parte da Petrobras está em discussão e ela está no ponto para ser vendida… A ideia é vender toda a participação”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.
Segundo a fonte, o ideal é que o negócio seja definido ainda no primeiro semestre. “Há interessados no mercado internacional na Braskem. O interesse já foi manifestado por grandes grupos focados no setor petroquímico”, revelou a fonte, que não quis estimar o valor para a operação.
A Petrobras tem 47% das ações ordinárias da Braskem e quase 22% dos papéis preferenciais, ou 36,1% do capital total da petroquímica. A Odebrecht possui 50,1% das ações com direito a voto e cerca de 23% das preferenciais.
Considerando os preços das ações da Braskem na bolsa, a fatia da Petrobras na petroquímica tem valor de mercado acima de R$ 5 bilhões, mas normalmente há um prêmio em operações envolvendo acionistas no bloco de controle.
A Odebrecht tem direito de preferência de compra da fatia da Petrobras na Braskem, mas não deve ampliar sua participação na petroquímica, de acordo com a fonte da petroleira, num momento em que o grupo de construção se vê envolvido nas investigações da operação Lava Jato.
A ação preferencial da Braskem foi uma das mais valorizadas entre as componentes do Ibovespa em 2015, com alta de 66,2% no ano, em meio ao cenário positivo da alta do dólar para as exportações, internacionalização de suas operações e queda do preço do petróleo.
A venda da fatia na Braskem está no contexto de um amplo plano de desinvestimentos da Petrobras para fazer frente às grandes dívidas da companhia e plano ainda vultoso de investimentos, num momento em que os preços do petróleo no exterior estão próximos das mínimas em 12 anos.
O barril da commodity no mercado internacional está na faixa dos 30 dólares, com excesso de oferta e dúvidas sobre a demanda, sobretudo, na China, segunda maior economia do mundo.
Procuradas, Petrobras e Odebrecht não comentaram o assunto de imediato. A Braskem informou que se trata de uma questão de seus acionistas e que não iria se manifestar.
SEM MEXER EM COMBUSTÍVEIS
A fonte da Petrobras disse também que a estatal descarta reduzir os preços dos combustíveis no mercado interno, que estão com prêmio significativo em relação aos valores praticados no exterior.
Durante anos, a situação foi a inversa, com a Petrobras vendendo gasolina e diesel no Brasil abaixo dos valores praticados em outros países.
Ainda de acordo com a mesma fonte, a Petrobras espera reduzir o volume de importação de derivados em 2016 para entre 100 mil e 150 mil barris ao dia, ante de 170 mil a 200 mil barris diários no ano passado.








