Uma visão crítica e filosófica sobre a relação sujeito-objeto |
Desenvolver um olhar crítico sobre a realidade que se desvenda ao nosso redor, chamando-nos a atenção, principalmente, pelo sentido da visão, é atualmente, e sempre será, um dos componentes essenciais da prática do profissional das ciências sociais.
Constantemente lidamos com valores e concepções que devem ser submetidos aos rigores de nossa reflexão crítica, desenvolvendo a pergunta e a dúvida constantes sobre os múltiplos saberes que deverão fundamentar hoje os processos científicos. É o que conhecemos com o nome de atitude reflexiva, como crítica ao conhecimento, que se torna peça fundamental para a produção e questionamento do saber.
A categoria epistêmica sujeito-objeto, a crítica e as relações que se podem estabelecer a partir dela é um tema que naturalmente despertará o interesse desde o ponto de vista da epistemologia. A epitemologia é um ramo da filosofia que trata dos problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento.
Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia. Este conhecimento consiste em descrever, explicar e predizer uma realidade, isto é, analisar o que ocorre, determinar porque ocorre dessa forma e utilizar estes conhecimentos para antecipar uma realidade futura.
O termo refere-se também à filosofia da ciência, quando se observa seu sentido mais estrito, entretanto, quando se depara com um aspecto mais amplo, entende-se por teoria do conhecimento.
Assim, conclui-se que a epistemologia é, em essência, o estudo crítico do conhecimento científico em seus vários aspectos.
E como tal, epistemologia estuda a evidência, isto é, os critérios de reconhecimento da verdade. Ante a questão da possibilidade de conhecimento, o sujeito pode tomar diferentes atitudes:
Dogmatismo – atitude filosófica defendida por Descartes, segundo a qual podemos adquirir conhecimentos seguros e universais, e ter absoluta certeza disso;
Ceticismo – atitude filosófica oposta ao dogmatismo a qual duvida que seja possível um conhecimento firme e seguro. Esta postura foi defendida por Pirro e Elis;
Relativismo – atitude filosófica defendida pelos sofistas que nega a existência de uma verdade absoluta e defende a ideia de que cada indivíduo possui uma própria verdade. Esta verdade depende do espaço e do tempo;
Perspectivismo – atitude filosófica que defende a existência de uma verdade absoluta, mas pondera que nenhum de nós pode chegar a ela senão que chegamos somente a uma pequena parte.
Lalande trata a epistemologia como uma filosofia das ciências, mas de modo especial, porque se concentra, essencialmente, no estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das ciências, com o objetivo de determinar sua origem lógica (e não psicológica), portanto, destaca-se seu valor e seu alcance objetivo.
Para Lalande, essa disciplina, ela se distingue, portanto, da teoria do conhecimento, da qual serve, contudo, como introdução e auxiliar indispensável.
Portanto, temos que epistemologia é o estudo sobre o conhecimento científico, ou seja, o estudo dos mecanismos que permitem o conhecimento de determinada ciência. Como diria Marilena Chauí, é o conhecimento do conhecimento científico.
*João Vicente Alvarenga é professor de língua espanhola e mestre em filosofia








