*Reportagem Especial
Dois nomes que figuram em uma lista de 100 mandados de busca e apreensão (e 47 conduções coercitivas), no âmbito da Operação Pausare, deflagrada em fevereiro do ano passado, estão ativos no mercado e, supostamente, com interesses convergentes, conforme revela apuração da reportagem investigativa do Portal VIU!
O advogado Ricardo Andrade Magro, considerado o rei das liminares no ramo de combustíveis, e que chegou a ser preso pela Polícia Federal por fraudes em fundos de pensão, seria o personagem invisível em uma ampla articulação para afastar os atuais gestores da Usina Canabrava, na cidade de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense.
Nesta empreitada, o interesse de Magro estaria convergindo com o empresário Ludovico Tavares Giannattasio, que detém 41% das cotas no grupo industrial.
O objetivo seria viabilizar a indicação de uma gestão alinhada com o interesse do grupo de Ricardo Magro no varejo de combustíveis e Ludovico, ainda que por meio de aliados, no retorno ao comando da usina.
Magro e Ludovico compartilham um lugar cativo na lista de investigados em fraude na aplicação de recursos do Fundo Postalis, o Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos.
ENTENDA O CASO
Segundo investigações do Ministério Público Federal (MPF), o Fundo de Investimento em Participações (FIP), turbinado com dinheiro do Fundo de Pensão, investiu R$ 190 milhões no FIP Bioenergia, vinculado ao Grupo Canabrava.
Na época, Magro e Ludovico faziam parte do quadro societário da indústria, e teriam atuado na captação e gestão dos recursos na Canabrava.

Do aporte milionário restaram problemas. O grupo mergulhou em um quadro de endividamento insustentável com fornecedores, funcionários e pagamentos de tributos, chegando a receber visita dos deputados integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão e de agentes da Polícia Federal.
A dívida foi parcelada após uma intervenção da justiça e nomeação de novos gestores.
LINHA MALDITA
Para consumar o plano de retomada da Canabrava, o grupo de Magro e Ludovico estaria utilizando-se da linha editorial do jornal O DIA, matutino carioca em recuperação judicial por conta de dívidas de R$ 235 milhões, conforme noticiado em reportagem de VIU!.
O DIA já produziu mais de 15 reportagens contra a unidade industrial localizada no Norte Fluminense e a maioria sem ouvir representantes da Canabrava, procedimento que passou a ser adotado pelo jornal após reportagem do Portal VIU! revelar as digitais de Ricardo Magro na guerra editorial.
No dia 2 de fevereiro de 2018, ao noticiar a prisão de Ricardo Magro na Operação Pausare, o site O Antogonista se referiu ao empresário como “amigo de Eduardo Cunha e dono da polêmica Refinaria Manguinhos, rebatizada Refit”. O Antogonista, na mesma postagem, destacou que a “refinaria estava despejando milhões na mídia tradicional”.
Uma fonte do mercado que pediu anonimato, diz que “o objetivo das reportagens de O DIA é produzir conteúdo que sirva como elemento de arguição em ações que deverão ser ajuizadas ou como base de contestação aos atuais gestores da usina.
A campanha editorial vai de denúncias de evasão fiscal, passando por simples apreensão de caminhões de cana ou de carretas carregadas de etanol. A reportagem apurou que este ano todos os veículos foram liberados horas depois de apreendidos por agentes da Polícia Rodoviária Estadual, porque na delegacia não foram apontados elementos que caracterizassem condutas criminosas.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA
O detalhamento que o MPF faz no inquérito da Operação Pausare permite mensurar o tamanho da ousadia de Ricardo Magro, Ludovico e companhia. As investigações apuram “a existência de uma organização criminosa supostamente responsável pelo rombo de mais de R$ 5 bilhões” causado ao Postalis.
“As irregularidades verificadas na administração da carteira própria do Postalis seguiam o mesmo padrão de desencadeamento. Inicialmente o investimento era recomendado por algum membro da diretoria do fundo de pensão, tendo por base um processo decisório superficial e cujo início não era devidamente documentado”, diz o MPF em um trecho da nota oficial divulgado na ocasião.
A força-tarefa também identificou que “foram escolhidos como objeto de investimento negócios duvidosos, que nunca saíram do papel”.
“Diante do funcionamento do esquema, os investigadores trabalham com a hipótese de que a organização criminosa é formada por quatro núcleos: o núcleo empresarial; o núcleo dirigente do fundo de pensão; o núcleo de empresas avaliadoras; e o núcleo de gestores, administradores e agentes fiduciários dos FIPs e dos fundos de investimento”, destaca o MPF.
As medidas judiciais na Operação Pausare foram autorizadas pela 10ª Vara Federal, em Brasília. Um detalhe na folha corrida de Ricardo Magro é a capacidade de cooptar apoio e alianças em órgãos reguladores e até mesmo em órgãos de controle externo.

É o que revela, por exemplo, uma ação promovida pelo MPF na 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro. A denúncia envolve uma magistrada da própria Justiça Federal que estaria envolvida em concessão de liminares ao grupo de Magro.
CAIXEIRO VIAJANTE
Na quarta-feira (12), o Portal VIU! publicou reportagem sobre a condenação do engenheiro Frank Meira Juviniano na 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense. Ele foi preso em flagrante, em 2013, por crime ambiental.
Sócio na 76 Oil distribuidora de Combustíveis, empresa ligada ao grupo de Magro, o engenheiro teria saído do país em viagens a África do Sul e Miami, mesmo estando impedido de sair da comarca de Caxias sem autorização da justiça. Ele também teria desobedecido a ordem de comparecer diante da justiça a cada dois meses.
Juviniano é um dos homens de Ricardo Magro no ramo de distribuição de combustíveis.
Advogado tributarista, parceiro de políticos poderosos, com o ex-deputado Eduardo Cunha, Ricardo Andrade Magro atualmente estaria operando a distância. Com cidadania portuguesa, o rei das liminares desfruta de uma doce vida em Miami, nos EUA.








