Ainda que o ministro da Justiça Sérgio Moro e a TV Globo tentem atribuir os recentes vazamentos de diálogos entre os integrantes da força-tarefa da Lava-Jato e do ex-juiz a uma conspiração do serviço de inteligência da Rússia, a especulação não resiste aos fatos.
A suspeita de conspiração russa foi ventilada após a deflagração da série de reportagem do site The Intercept Brasil, com base em vazamento de diálogos entre o então juiz e promotores no âmbito da operação de combate a corrupção comandada a partir de Curitiba (PR).
O conteúdo das reportagens do The Intercept revela uma série de violações cometidas por promotores e Sérgio Moro e ganhou repercussão internacional.
A #VazaJato é devastadora e o desfecho imprevisível.
Nesta guerra de informações, o portal VIU! traça uma radiografia do Telegram, uma plataforma concorrente do Whatsapp, porém, com mais recursos e que aos poucos vai conquistando usuários no mundo.
ENTENDA O TELEGRAM
O Telegram tem um sistema de criptografia que se mostra inviolável. Por conta disso, a plataforma enfrenta um forte cerco do governo russo e iraniano, que tentam acesso ao conteúdo de diálogos por meio de medidas judiciais. No Irã, o aplicativo foi banido pelas autoridades afetando 25 milhões de usuários.
Portanto, são remotas as possibilidades de colaboração entre a empresa mantenedora do Telegram e qualquer governo, como também é improvável que um hacker tenha conseguido violar o sistema de criptografia da plataforma para roubar dados, versão que também foi descartada pela empresa.
ONDE FICA A EMPRESA
O Telegram foi desenvolvido pelos irmãos Pavel e Nikolai Durov, empresários de nacionalidade russa, mas a empresa está sediada em Berlim, na Alemanha.
A agência de segurança da Rússia acusa a plataforma de criar obstáculos às investigações contra o terrorismo. Cita como exemplo o atentado ao metrô de São Petesburgo, em abril de 2017.
Os investigadores que atuaram no caso afirmam que o terrorista que explodiu uma bomba no metrô teria utilizado o aplicativo para falar com cúmplices, que a polícia não conseguiu verificar a identidade, justamente, por não possuir acesso às mensagens trocadas por ele.
Uma lei aprovada na Rússia em 2016 obriga os serviços de mensagens instantâneas entregarem às autoridades ferramentas para que a comunicação entre os usuários possam ser descriptografadas, mediante autorização judicial para investigação. A empresa que mantém o Telegram é uma das maiores críticas desta legislação.
Pavel Durov considera o pedido é descabido e e destaca como uma flagrante violação do direito ao sigilo de seus usuários.
A empresa garantiu aos usuários do Telegram que não permitiria o acesso do governo russo – ou qualquer outro agente externo – às mensagens trocadas pelo sistema. Eles acusam o governo russo de tentar invadir a privacidade não apenas dos próprios cidadãos, mas também de todo o mundo.
DIVISÃO DE TAREFAS
Na divisão de tarefas na administração da empresa, Durov é o responsável pelo suporte financeiro e ideológico do Telegram.
O seu irmão, o matemático e programador Nikolai ficou responsável pela tecnologia do programa.
A plataforma é mantida com um protocolo de dados feito sob encomenda, com código aberto, seguro e otimizado para trabalhar com múltiplos centros de dados, rendendo um sistema rápido e seguro de envio de mensagens em massa.
Segundo reportagem do TechTudo, em novembro de 2013, Pavel, de 29 anos, o mais popular dos irmãos, saiu em várias publicações como “o Mark Zuckerberg da Rússia”, por ter criado a maior rede social do país e segunda maior da Europa, a VKontakt (vk.com).








