*Da redação | Reportagem Especial
O prédio de número 198, na Rua dos Inválidos, no Centro do Rio de Janeiro, consta na Junta Comercial como endereço do jornal O Dia, matutino carioca em recuperação judicial por conta de uma dívida de R$ 235 milhões, incluindo o passivo trabalhista e o valor devido ao Fisco.
O processo de recuperação da editora, que também é proprietária do tabloide Meia-Hora, corre na 6ª Vara Empresarial desde dezembro de 2017.
Os momentos para o jornal fundado em 1951 por Chagas Freitas são trágicos e o futuro incerto, conforme demonstrará a série de reportagem especial nas edições de VIU DIGITAL, revista em formato eletrônico associada ao Portal VIU!, plataforma que será lançada na próxima semana.
Documentos obtidos com exclusividade desvendam a identidade de personagens obscuros que assumiram o controle acionário e editorial da empresa, de forma visível e invisível.
O COVEIRO
Um desses personagens é o empresário português Nuno Rocha dos Santos de Almeida e Vasconcellos. No contrato social arquivado na Junta Comercial em 22/11/2018, ele aparece como sócio da Empresa Jornalística Econômico S/A ao lado de Marcos Mendes Salles, o mesmo sócio na Graphos Participações Ltda.
Essas duas empresas constituem a “sociedade limitada denominada Editora O DIA Ltda.”
Em seu país de origem, Rocha é conhecido como coveiro de empresas de comunicação. Ele estaria morando no Brasil desde 2015, depois que os seus negócios fracassaram em Portugal.

Em reportagem datada de 2016, o site português Negócios destaca o naufrágio da Rocha Santos Holding, grupo comandado pelo novo controlador de O Dia.
Ele deixou no país uma dívida de 9,7 milhões de euros, e dois veículos de comunicação, o Dário Econômico e o Econômico TV em estágio de insolvência. Ao buscar bens para penhora, os credores só encontram um jet ski em nome do empresário.
NO RAMO DE TELEFONIA
No Brasil, Rocha está metido com a empresa de telefonia OI. Ele chegou junto com a Portugal Telecom, que mudou o nome para Pharol. Como suplente no conselho fiscal companhia, ele tem o nome citado no inquérito na Polícia Federal.

Conforme destacou reportagem do Jornal do Brasil, As investigações apuram suspeitas de fraudes contábeis que empurraram a Oi para uma grave crise financeira, que implica no endividamento de R$ 65 bilhões, o que obrigou a empresa a entrar com processo de recuperação judicial.
Outros personagens emergem nas sombras. Recentemente O Dia iniciou a publicação semanal de uma coluna assinada pelo ex-governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, preso no Complexo Penitenciário de Bangu, no âmbito da Operação Lava Jato.
A publicação foi suspensa pelo juiz da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, Rafael Estrela. O Ministério Público questionou se houve contratação do político pelo jornal ou apenas envio de cartas para publicação.
Outras investidas suspeitas do matutino se dá no ramo de distribuição de combustíveis. O DIA já publicou mais de 10 matérias, todas envolvendo concorrentes diretos do empresário Ricardo Andrade Magro, amigo do ex-deputado Eduardo Cunha.
Magro já foi relacionado a denúncias de evasão fiscal na gestão da refinaria Manguinhos (atual Refit) e supostas compras de decisões judiciais na Justiça paulista. Seu nome é citado na lista de brasileiros que mantém offshores em paraísos fiscais.
Magro também é acusado de fraudes em Fundos de Pensão, tendo passado uma temporada na prisão. Atualmente estaria morando nos EUA, mas atuando por meio de prepostos na refinaria Refit. Magro também seria uma das mãos invisíveis nos ataques seletivos de O DIA.








