A Boeing desistiu da fusão com a Embraer, fabricante brasileira no segmento de aeronaves. A decisão que provoca uma reviravolta no mercado, representa uma vitória para pequenos investidores e Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), que chegaram a pleitear a anulação do contrato entre as duas empresas por meio de ações judiciais.
O processo de fusão foi atropelado pela crise decorrente da pandemia do Coronavírus. De acordo com informações de investidores, a Boeing tenta obter ajuda financeira para mitigar os prejuízos provocados pela crise nos EUA, mas uma das condições impostas pelo governo norte-americano é que as corporações beneficiárias não poderão utilizar recursos para pagamento de bônus a executivos, recompra de ações ou adquirir empresas.
Um dos fatores que podem ter contribuído para a desistência da Boeing, foi uma ação da Associação Brasileira Investidores (Abradin) na Comissão Europeia, em novembro do ano passado.
A entidade denunciou que o acordo entre as duas empresas estava repleto de irregularidades e poderia prejudicar a concorrência global do setor. A partir desta iniciativa, a Comissão Europeia iniciou uma série de questionamentos a Boeing e Embraer, o que acabou retardando o processo de fusão, até que e eclodiu a pandemia afetando a economia mundial.
“A médio e longo prazo será a melhor solução para os funcionários e investidores. O governo terá que colocar dinheiro para mitigar os prejuízos que a empresa enfrentará por conta desta negociação mal sucedida com Boeing”, destaca o presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), Aurélio Valporto.
Após a empresa norte-americana confirmar a rescisão do contrato da compra de parte da Embraer, o Sindicato dos Metalúrgicos está sugerindo a reestatização da empresa.
A entidade também pede que o governo garanta o emprego dos trabalhadores da companhia.
“Defendemos que o governo brasileiro cumpra o seu papel em favor da nossa soberania e reestatize a Embraer para que, diante dos efeitos colaterais a serem provocados pela ruptura do acordo, agravados pelas consequências econômicas causadas pela pandemia do coronavírus, os empregos e direitos dos trabalhadores sejam preservados integralmente”, diz um trecho da nota do sindicato reproduzida pela agência Sputnik.
OUTRO LADO
Por um comunicado oficial, a Boeing afirmou que “exerceu seu direito de rescindir” o contrato devido à Embraer “não ter atendido as condições necessárias”. O acordo previa que a data limite para a rescisão do contrato terminaria justamente no dia 24 de abril.








