As ideologias, as pesquisas científicas, os avanços tecnológicos, a tecno-ciência, diante de um NOVO, serão sempre suplantados por um outro NOVO. No caso das ideologias, elas se declinam por força de novas motivações políticas, sociais e econômicas, perdendo sua validade, em algum momento da história. Se não, elas reaparecem tentando se ambientarem dentro de novos parâmetros, estabelecidos pelas sociedades.
As pesquisas científicas avançam na esteira de legados importantes, sem descartar, integralmente, os avanços de épocas remotas. As tecnologias, quando defasadas, logo são substituídas. Novas técnicas de pensar e resolver questões vitais, para a saúde e conforto do ser humano, são postas em prática, abandonando as antigas ou ultrapassadas. As pesquisas avançam! O mundo caminha depressa para um desfecho previsível?
As democracias, nem todas legítimas, validam ou não determinadas ideias, assim como as religiões (nas democracias teocêntricas?), assunto que deixa o mundo em sobressalto, pela maneira como os países do Oriente Médio lidam com a ideia de Deus e sua relação com os homens. Movimentando armamentos pesados e instalando o terror em escala global.
Algumas dessas nações são detentoras de fontes de riquezas, como a Arábia Saudita, e mudam a face do capitalismo. Em regiões pobres ou ricas, os fundamentos da religião são fracionados em pequenas grupos armados, grupos terroristas, que se destroem uns aos outros e semeiam o pânico no mundo globalizado e tão desigual.
Na Grécia Antiga, cidade de Siracusa, Arquimedes, autor de grandes inventos, deixou para o mundo um conjunto de leis que regem o mundo físico. Experimentou e descobriu muitas coisas. Seu olhar buscou no céu a regularidade do movimento dos astros e das estrelas, prometendo mover o mundo com um ponto e nada mais (a alavanca inventada por ele): deem-me um ponto de apoio e uma alavanca e eu moverei o mundo. Palavras de Arquimedes! Teria sido mais um grito de Eureka! Eureka!, pela magnitude de sua percepção.
Arquimedes, para tirar o globo terrestre de um lugar para outra parte não pedia mais que um ponto, que fosse fixo e seguro. Esse ponto passou a chamar-se PONTO ARQUIMEDIANO. Ele é responsável por colocar a ciência e o mundo sob a ótica rigorosa e segura de leis e postulações.
O universo unificado por aparatos tecnológicos, por instrumentos científicos levaram o homem a criar leis válidas e também a um PONTO ARQUIMEDIANO, que já não é mais fixo, imóvel, além da Terra, ou mesmo do Sol, porém de caráter indeterminado e em movimento. A ciência avança!
Concorreram, para as feições de uma Era Moderna, três acontecimentos de suma importância: as grandes navegações, a Reforma Protestante de Lutero e a invenção do telescópio por Galileu Galilei. A partir desses acontecimentos, o mundo já não seria o mesmo.
O pensar humano e suas ações sobre o mundo vão mudar radicalmente e continuam a mudar. As portas para a Era Moderna se abriram. A Reforma Protestante abala a unidade da Igreja Católica; as grandes navegações mostram as possibilidades de exploração de um pequeno e vasto planeta; o telescópio vai mostrar que o Universo é multifacetado e mais infinito do que nossa imaginação pode conceber.
A Era Moderna que começa no século XVII desenvolve no homem um sentimento de distanciamento em relação a Terra, porque ele se vê separado do mundo terreno. É o que a filósofa Hanna Arendt vai chamar de “alienação do homem com o mundo”. A ideia de alienação é a de que algo se separa de alguma coisa ou que é estranho a essa coisa. A filósofa cita como exemplo de alienação nesse contexto, o rompimento do EU quando ele já não pode aceitar a si mesmo. Ou quando não reconhecemos o pensamento que se aplica à realidade. Conhecer as causas e consequências da alienação é fundamental para se entender a Era Moderna.
Primeiramente, a alienação tem uma natureza secular, no sentido como se vê nos Escritos Bíblicos, com os cristãos primitivos – a César o que é de César; a Deus o que é de Deus -. Fica clara a separação entre a Igreja e o Estado; entre a Religião e a Política.
O homem, pela primeira vez, experimenta um “processo de alienação” que mudou a história da humanidade. Por isso, a história moderna é a história do homem voltado para si mesmo, inaugurando a alienação como uma forma de se relacionar com o mundo, ou seja, à distância, da mesma forma que o cientista, armado de um telescópio, vasculha o que está lá, muito, muito longe dele. Esse passa a ser o paradigma de relação homem-mundo. À distância.
O filósofo Descartes, voz importante da modernidade, modernidade que ele ajudou a implementar, representa muito bem esse momento histórico da humanidade. Escreve Descartes: fecharei agora os olhos, tamparei os ouvidos. Vou me defender de todos os sentidos. Apagarei mesmo de meus pensamentos todas as imagens de coisas corporais, ou, ao menos, uma vez que mal se pode fazê-lo, vou considerá-las vãs e falsas. O homem volta-se para si mesmo e quer ignorar o mundo.








