“Itaboraí é a cidade que detém o maior índice de desemprego no país, já algumas cidades do Norte Fluminense atravessam uma crise fiscal por terem gastado demais”, é o que afirma o economista Ranulfo Vidigal no levantamento exclusivo para o Portal VIU ONLINE |
Comércio, serviços, indústria e construção civil são os setores do Estado do Rio de Janeiro mais atingidos pelo desemprego no primeiro semestre deste ano. A cidade de Itaboraí, onde está localizado o canteiro de obras do Complexo Petroquímico do Comperj, é de longe a cidade que tem o maior índice de desempregados no Estado e talvez no país: apresentou uma queda de 21,73% na comparação com o primeiro semestre do ano passado. Em todo o Brasil o índice foi negativo na ordem de 0,84%.
O levantamento foi realizado com exclusividade para Portal VIU ONLINE pelo economista e colunista, Ranulfo Vidigal, a partir da base de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
Segundo ele, a paralisação das obras do Comperj a partir do escândalo do petrolão foi devastador para a economia local, com reflexos nas cidades localizadas no entorno. Já no Norte Fluminense, base de operação da Petrobras na exploração de petróleo na Bacia de Campos, Macaé que representa 6,7% da geração de riqueza no Estado, registrou um índice negativo de 2,15% de desemprego. Foi a maior na região, porque a cidade concentra as empresas que operam na indústria offshore e que estão demitindo por conta da crise da Petrobras.
A cidade de Campos dos Goytacazes, outro polo econômico regional, registrou um índice negativo de 1,63% ante o primeiro semestre de 2014. São João da Barra, sede do Porto do Açu, registrou menos 1,6%.
“O levantamento incluiu os números de todas as Regiões do Brasil, mas no detalhamento, a análise focou as variantes e peculiaridades dos municípios fluminenses”, disse Vidigal.
A cidade do Rio de Janeiro, mesmo com o aquecimento da construção civil por conta das obras ligadas as Olimpíadas, registrou um índice negativo de 2,05% de desempregados ante o primeiro semestre de 2014.
Angra dos Reis, que concentra as atividades navais (estaleiro), energia e turismo, registrou uma redução de 3,7%. Resende, no Sul do Estado, registrou um índice negativo de 3,31% e Volta Redonda menos 2,84%.
Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, revelou queda de 1,81%; Niterói queda de 2,82% e Itaguaí – cidade que é sede do Porto de Sepetiba – registrou queda de 10,23%.
Analisando os dados sobre o Norte Fluminense, Ranulfo Vidigal faz algumas ponderações. A primeira delas é de grandeza econômica. Macaé se consolidou como principal polo econômico do Norte Fluminense, respondendo por 6,7% da geração de riqueza do Estado. A cidade de Campos dos Goytacazes, atualmente, responde por 3,2%. São João da Barra que representava 0,3% da geração de riqueza, hoje já responde por 0,6%. “Crescendo neste ritmo, São João da Barra em pouco tempo vai rivalizar com Campos”, destaca o economista.
Sobre o reflexo da crise da arrecadação dos royalties do petróleo no mercado de trabalho do Norte Fluminense e Região dos Lagos, o economista explica que ela não está na proporção que se divulga.
“Alguns municípios da zona produtora de petróleo, na verdade, atravessam uma crise fiscal. Gastaram demais e não fizeram o dever de casa. Agora neste período de queda da principal fonte de arrecadação encontram dificuldades para pagar a fatura”, disse.








