A defesa de um novo ciclo de apoio às exportações brasileiras ganhou força nesta terça-feira (17), após o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, sugerir a criação de uma segunda fase do Plano Brasil Soberano. A proposta tem como objetivo ampliar o suporte a empresas impactadas por tarifas internacionais e pelo cenário geopolítico atual.
Segundo Mercadante, a iniciativa poderia atender não apenas exportadores diretamente afetados por medidas protecionistas, mas também setores considerados estratégicos e aqueles com déficit na balança comercial, ou seja, que importam mais do que exportam. A ideia é fortalecer a competitividade da indústria nacional diante de um ambiente global mais instável.
O Plano Brasil Soberano original foi lançado em agosto de 2025, como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, que chegaram a atingir até 50% sobre determinados produtos brasileiros. Embora parte dessas medidas tenha sido revista posteriormente, ainda há segmentos que enfrentam sobretaxas mais elevadas do que concorrentes internacionais.
Mercadante destacou que o problema não está necessariamente na existência de tarifas, mas na desigualdade das condições de concorrência. Em alguns casos, setores brasileiros continuam sujeitos a taxas superiores, o que compromete sua competitividade no mercado externo.
Entre os exemplos citados estão as tarifas aplicadas com base na legislação americana conhecida como Seção 232, que permite restrições comerciais por razões de segurança nacional. De acordo com o presidente do BNDES, áreas como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam taxas de até 50%, enquanto segmentos automotivos e de autopeças lidam com tarifas em torno de 25%.
Durante a apresentação do balanço financeiro de 2025, realizada na sede do banco no Rio de Janeiro, Mercadante afirmou que há margem financeira para viabilizar uma nova fase do programa. Dos recursos originalmente destinados ao Plano Brasil Soberano, cerca de R$ 6 bilhões permanecem disponíveis.
Ele explicou que esses valores não podem ser utilizados diretamente sem autorização legal. Por isso, seria necessária a aprovação do Congresso Nacional, possivelmente por meio de uma Medida Provisória, para permitir a criação de um novo programa com esses recursos.
O presidente do BNDES também revelou que já existem conversas em andamento com integrantes do governo federal, incluindo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além da equipe econômica. A decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Além dos exportadores, Mercadante defende que o novo programa contemple setores estratégicos, como o de fertilizantes, considerado essencial para a segurança alimentar e a produção agrícola.
Ele ressaltou que conflitos internacionais recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e tensões envolvendo o Irã, afetam diretamente a oferta global desses insumos, exigindo maior capacidade de resposta do Brasil.
Nesse contexto, a proposta busca aumentar a resiliência da economia nacional diante de choques externos, garantindo maior autonomia produtiva em áreas consideradas críticas.
Outro ponto abordado pelo presidente do BNDES foi a situação financeira da Raízen, empresa do setor de biocombustíveis que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam mais de R$ 65 bilhões.
Mercadante afirmou que o banco está envolvido nas discussões para viabilizar uma solução, embora não tenha detalhado quais medidas poderão ser adotadas. Segundo ele, a dívida da empresa com o BNDES possui garantias e não fará parte da renegociação.
O dirigente destacou a relevância da companhia, que reúne ativos expressivos, incluindo milhares de postos de combustíveis, além de papel importante na produção de energia renovável.
Mercadante também comentou a possibilidade de o banco apoiar empresas caso avance a proposta de mudança na jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos com um de descanso.
Embora o tema seja considerado prioritário pelo governo federal, ainda não há definição sobre eventual suporte financeiro. O presidente do BNDES afirmou que o assunto está em análise e dependerá das decisões do Executivo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








