Um plano elaborado por André Marinho, aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), propõe uma aproximação do Brasil com os Estados Unidos para ampliar a participação norte-americana na cadeia de produção de terras raras e diminuir a dependência de estruturas chinesas no setor.
O conteúdo foi revelado neste domingo (13) pelo site Amado Mundo. Com 22 páginas e datado de 19 de março, o documento teria sido preparado para ser apresentado à Rockbridge Network, grupo criado em 2019 por doadores conservadores e fundado pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
Marinho confirmou ser o autor do texto, mas afirmou que a proposta nunca foi apresentada a integrantes do governo ou funcionários norte-americanos. Ele também negou que a elaboração do documento tenha relação com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Plano sugere interromper exportação de minério bruto
Entre as medidas apresentadas está a interrupção das exportações de minério bruto e a redução da dependência brasileira das estruturas chinesas utilizadas no processamento de terras raras.
O documento propõe ainda a criação de um chamado “sistema de fornecimento paralelo”, estruturado de acordo com interesses estratégicos dos Estados Unidos.
Segundo a proposta, uma estratégia desse tipo poderia ajudar o Brasil a atrair até US$ 100 bilhões em investimentos para o setor de mineração ao longo de uma década.
A ideia não seria apenas aumentar a extração dos minerais, mas ampliar a participação brasileira nas etapas seguintes da cadeia produtiva, como processamento e transformação do minério. Dessa forma, o país poderia agregar mais valor à produção antes da comercialização no exterior.
Terras raras entram na disputa entre Washington e Pequim
As terras raras são utilizadas em diferentes setores considerados estratégicos, incluindo a indústria tecnológica, eletrônica, energética e de defesa. Por isso, o domínio das etapas de mineração, processamento e fornecimento desses minerais se tornou um dos pontos de disputa econômica e geopolítica entre Estados Unidos e China.
O Brasil aparece nesse cenário por possuir grandes reservas desses elementos. Segundo os dados mencionados na reportagem, o país tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, o que aumenta o interesse internacional pelo potencial brasileiro.
A proposta atribuída a Marinho parte justamente desse cenário para defender uma aproximação maior com Washington e a construção de uma cadeia de fornecimento alternativa à estrutura atualmente dominada pela China.
Autor nega ligação com campanha de Flávio
Apesar de Marinho ser aliado de Flávio Bolsonaro e atualmente candidato ao governo do Rio de Janeiro, ele afirmou que o documento não foi produzido como parte da campanha presidencial do senador.
O autor também declarou que o plano não chegou a ser apresentado oficialmente a autoridades dos Estados Unidos. Assim, embora o texto proponha uma estratégia de aproximação entre Brasil e governo norte-americano no setor de terras raras, não há indicação, segundo as declarações de Marinho, de que a proposta tenha sido incorporada oficialmente por governos ou campanhas políticas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








