O Republicanos decidiu entrar na disputa pelo Palácio Guanabara com candidatura própria. A direção estadual da legenda aprovou por unanimidade o nome do ex-governador Anthony Garotinho para representar o partido na eleição de 2026.
A escolha ocorreu durante uma Assembleia Geral Extraordinária realizada de forma remota no sábado, dia 18 de julho. Participaram da reunião integrantes da Comissão Executiva Estadual, além de deputados estaduais e federais do Republicanos no Rio de Janeiro.
Apesar da definição partidária, Garotinho ainda permanece formalmente na condição de pré-candidato. O nome precisará ser homologado na convenção estadual do Republicanos, marcada para sábado, dia 25, quando a legenda também deverá confirmar os demais integrantes de sua chapa.
Pelas regras eleitorais, as convenções partidárias de 2026 podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. É durante esse período que os partidos escolhem oficialmente seus candidatos e deliberam sobre eventuais coligações para os cargos majoritários.
Pesquisa interna influenciou escolha
Antes da decisão, Garotinho disputava internamente a indicação com o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português. Segundo informações divulgadas após a reunião, uma pesquisa encomendada pelo partido foi apresentada aos dirigentes e utilizada como um dos elementos para a definição.
O presidente estadual do Republicanos, deputado federal Luis Carlos Gomes, afirmou que a experiência administrativa de Garotinho foi considerada importante diante dos desafios do estado. Segurança pública, saúde e educação foram apresentadas pelo ex-governador como prioridades de uma eventual gestão.
A composição da candidatura a vice-governador ainda não está encerrada. Garotinho apresentou o coronel Venâncio Moura, ex-integrante do comando do Batalhão de Operações Policiais Especiais, como uma possibilidade, mas a confirmação dependerá das negociações entre os partidos.
Republicanos também mira o Senado
A candidatura própria permite que o Republicanos organize uma chapa majoritária com nomes conhecidos do eleitorado fluminense. O partido trabalha para lançar o deputado federal e ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella na disputa por uma das duas vagas destinadas ao estado no Senado.
A decisão coloca a legenda em campo próprio justamente quando o PSD consolida a chapa liderada por Eduardo Paes. O ex-prefeito do Rio foi oficialmente escolhido candidato ao governo estadual, com Jane Reis, do MDB, como vice.
Na mesma convenção, o PSD confirmou o deputado federal Pedro Paulo como candidato ao Senado. A chapa também conta com a pré-candidatura da deputada federal Benedita da Silva, do PT, para a segunda vaga de senadora.
Retorno após decisão do STF
A participação de Garotinho na eleição foi viabilizada após o Supremo Tribunal Federal anular a condenação relacionada à Operação Chequinho, investigação sobre a utilização do programa Cheque Cidadão durante as eleições municipais de 2016 em Campos dos Goytacazes.
O ministro Cristiano Zanin considerou ilícitas provas obtidas a partir da extração de dados de computadores da administração municipal. A decisão anulou a sentença que havia condenado o ex-governador e provocado a perda de seus direitos políticos.
Posteriormente, a Segunda Turma do STF manteve a anulação ao rejeitar recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República. Com isso, Garotinho recuperou as condições jurídicas para voltar a concorrer.
Candidatura amplia confronto eleitoral
A entrada de Garotinho acrescenta um competidor de forte presença regional e experiência em campanhas estaduais. Ex-governador, ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, ex-deputado e antigo candidato à Presidência da República, ele construiu sua trajetória política a partir do rádio e de uma comunicação direta com o eleitorado.
Mesmo nos períodos em que esteve sem mandato, Garotinho manteve atividade política por meio de programas, transmissões nas redes sociais, entrevistas e participações em podcasts. Essa exposição permitiu que o ex-governador preservasse uma base de apoiadores e retornasse ao debate estadual.
A candidatura também tende a aumentar o nível de confronto na campanha. Garotinho costuma adotar discursos incisivos contra adversários e poderá concentrar críticas sobre a trajetória administrativa de Eduardo Paes, que até agora ocupa a posição de liderança nas pesquisas.
Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 2 de julho mostrou Paes com 50,7% das intenções de voto em um cenário que incluía Garotinho. Douglas Ruas, do PL, aparecia com 13,8%, enquanto o ex-governador registrava 9,8%.
A pesquisa ouviu presencialmente 1.600 eleitores de 60 municípios entre 29 de junho e 1º de julho. A margem de erro era de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número RJ-04259/2026.
O resultado representa apenas o retrato do período em que as entrevistas foram realizadas. O cenário ainda poderá sofrer alterações após a oficialização das candidaturas, o início da propaganda eleitoral, a apresentação dos programas de governo e a realização dos debates.
Resiliência como marca política
A volta de Garotinho ao centro da disputa estadual confirma uma característica presente em sua trajetória: a capacidade de permanecer politicamente ativo mesmo após derrotas eleitorais, períodos de inelegibilidade e afastamento dos cargos públicos.
Sem controlar diretamente a direção estadual do Republicanos, o ex-governador precisou vencer uma disputa interna e demonstrar competitividade para receber a indicação. A aprovação unânime mostra que a legenda decidiu utilizar sua experiência, capacidade de comunicação e reconhecimento popular na construção de um palanque próprio.
Isso não significa, entretanto, que o resultado eleitoral esteja definido. Eduardo Paes inicia a campanha em posição mais favorável nas pesquisas, enquanto outros partidos ainda concluem suas chapas e estratégias.
A presença de Garotinho amplia o número de candidaturas competitivas, altera o espaço político disponível para alianças e introduz um adversário com experiência em debates e campanhas de alcance estadual.
A convenção de sábado deverá homologar a candidatura e esclarecer pontos ainda pendentes, como o nome do vice, a formação completa da chapa para o Senado e as alianças proporcionais do Republicanos.
Depois da convenção, o partido deverá encaminhar o pedido de registro à Justiça Eleitoral. Somente após o cumprimento dessas etapas Garotinho passará formalmente da condição de pré-candidato para candidato ao governo do Rio.
Com Eduardo Paes já oficializado pelo PSD e o Republicanos preparando a homologação de Garotinho, a eleição fluminense começa a assumir um desenho mais definido. O confronto entre políticos experientes, a formação das chapas ao Senado e o peso da segurança pública deverão ocupar espaço central na campanha pelo Palácio Guanabara.
*Da Agência Fonte Exclusiva







