A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta segunda-feira, uma operação para investigar um grupo criminoso suspeito de aliciar crianças e adolescentes em ambientes virtuais. A ação ocorreu em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, após denúncia feita pelo responsável por um estudante que teria sido inserido em um grupo online com conteúdos ilegais.
Segundo as investigações, menores com idades entre 10 e 11 anos foram adicionados a um grupo virtual onde eram compartilhadas imagens de pornografia infantil, registros de violência extrema, além de mensagens com teor racista, homofóbico e discriminatório.
Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão para recolher equipamentos eletrônicos e provas digitais que possam auxiliar na identificação de outros envolvidos. Até o momento, três administradores do grupo já foram identificados como suspeitos de coordenar as atividades criminosas.
De acordo com a polícia, o grupo reunia mais de 500 participantes. As crianças incluídas nas conversas eram pressionadas e ameaçadas para permanecerem no ambiente virtual e continuarem interagindo com o conteúdo compartilhado.
A operação recebeu o nome de Puere Impericulum, expressão em latim que significa “crianças em perigo”, em referência direta ao foco da investigação.
As apurações indicam que os aliciadores atuavam principalmente em jogos online, aplicativos de mensagens e redes sociais. Os suspeitos se passavam por crianças ou adolescentes para conquistar a confiança das vítimas e, posteriormente, solicitar imagens ou incentivar práticas ilegais.
Especialistas alertam que a exposição precoce à internet e o uso prolongado de celulares sem supervisão facilitam esse tipo de abordagem criminosa. Crianças, muitas vezes, não percebem o risco ao acreditar que estão conversando com colegas da mesma idade.
Outro ponto de preocupação levantado pelas autoridades é o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial para manipulação de imagens, ampliando os riscos de exploração e chantagem virtual.
A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente reforçou a importância do acompanhamento familiar no ambiente digital. Pais e responsáveis são orientados a manter diálogo constante com os filhos, acompanhar grupos virtuais, verificar contatos frequentes e observar mudanças comportamentais que possam indicar situações de risco.
A Polícia Civil destaca que denúncias feitas por familiares são fundamentais para o avanço das investigações e para a proteção de outras possíveis vítimas. O caso segue sob apuração, e novas diligências não estão descartadas.
*Da Agência: Fonte Exclusiva







