A cidade de Campos dos Goytacazes, maior município do Norte Fluminense, não realizará carnaval em 2026. A ausência da festa no calendário oficial reacende o debate sobre investimentos públicos, prioridades administrativas e o futuro da cultura popular na cidade.
Com população superior a 500 mil habitantes, Campos já foi referência regional em desfiles e blocos carnavalescos. Hoje, o cenário é diferente: sem programação pública e com o espaço destinado aos desfiles fechado, a folia ficou de fora do planejamento municipal.
Além da ausência do carnaval, moradores também apontam problemas estruturais em vias da cidade. Imagens enviadas à redação mostram um trecho da Avenida Gilberto Cardoso com afundamento no asfalto e risco para motoristas e motociclistas. Sem sinalização adequada, populares improvisaram alertas para evitar acidentes.
Enquanto isso, o sambódromo local, inaugurado em 2012 durante o governo da então prefeita Rosinha Garotinho, permanece sem utilização regular. A obra custou cerca de R$ 109 milhões e, segundo relatos de representantes das agremiações, apresenta sinais de abandono.
A carnavalesca Geovana, liderança comunitária e integrante da agremiação Castelo do Parque Aurora, gravou vídeo nas dependências do espaço criticando a falta de incentivo ao setor. Segundo ela, o local está fechado em pleno período pré-carnavalesco, com estrutura deteriorada e ausência de atividades culturais.
Geovana afirma que as escolas de samba e blocos da cidade enfrentam dificuldades para manter projetos ativos. Para ela, o problema não é apenas financeiro, mas também de planejamento e prioridade política.
O debate sobre o carnaval em Campos não é recente. Durante a gestão do ex-prefeito Carlos Alberto Campista, já havia questionamentos sobre a destinação de recursos para a construção de um espaço fixo para desfiles diante de demandas sociais consideradas mais urgentes, como habitação e infraestrutura urbana.
Especialistas apontam que o enfraquecimento do carnaval local também está ligado a mudanças culturais e religiosas na cidade, além da redução do público interessado nos desfiles.
Enquanto Campos interrompe a tradição, outras capitais ampliam investimentos. Em Vitória, por exemplo, o carnaval vem crescendo nos últimos anos, com fortalecimento das escolas de samba e anúncio de novos projetos estruturais voltados à festa.
A ausência do carnaval em Campos em 2026 representa mais que a suspensão de desfiles. Para parte da comunidade cultural, simboliza um período de transição e incerteza sobre o papel da cultura popular no município.
*Da Agência Fonte Exclusiva







