A influenciadora e empresária Virginia Fonseca encerrou a parceria comercial com a plataforma de apostas Blaze. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (21) pela VF Digital, agência ligada à criadora de conteúdo, em meio a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) envolvendo a publicidade da casa de apostas nas redes sociais.
Segundo o comunicado, o fim da relação comercial ocorreu de forma regular e respeitando as condições previstas entre as partes.
“A VF Digital comunica o encerramento da parceria comercial de Virginia Fonseca com a Blaze. A decisão foi formalizada observando os termos aplicáveis à relação contratual, encerrando-se de forma regular este ciclo”, informou a agência.
O comunicado não afirma que a ação judicial foi a causa direta do rompimento. O encerramento, entretanto, ocorre pouco mais de um mês depois de o MPDFT levar à Justiça uma série de questionamentos sobre a publicidade de apostas realizada pela plataforma e pela influenciadora.
Ação começou com pedido de R$ 120 milhões
O MPDFT ajuizou a ação civil pública em 8 de julho contra a Foggo Entertainment Ltda., operadora da Blaze, e Virginia Fonseca. No pedido inicial, o órgão requereu a condenação solidária das partes ao pagamento de R$ 120 milhões por danos morais coletivos, além de medidas destinadas a interromper práticas que o Ministério Público considera abusivas.
A investigação teve origem em denúncias de consumidores e na análise de mais de 42 mil reclamações envolvendo a plataforma. O inquérito civil foi instaurado em 19 de junho.
Segundo o MPDFT, algumas estratégias publicitárias poderiam transmitir ao consumidor uma impressão de facilidade ou segurança nos ganhos com apostas, diminuindo a percepção sobre o risco financeiro inerente a esse tipo de atividade.
O Ministério Público também sustenta que a utilização de influenciadores com milhões de seguidores amplia o alcance dessas mensagens, inclusive entre pessoas consideradas mais vulneráveis ao estímulo do jogo.
Postagem de Virginia entrou na ação
Um dos episódios citados pelo Ministério Público envolve uma publicação realizada por Virginia durante a Copa do Mundo de 2026.
Segundo a ação, a influenciadora publicou nos stories do Instagram conteúdo no qual aparentava apostar em uma vitória de Cabo Verde sobre a Argentina. Para o MPDFT, a postagem não apresentaria de maneira suficientemente clara que se tratava de publicidade e poderia ser interpretada pelo público como uma manifestação espontânea.
O órgão também afirma no processo que Virginia teria direito a 30% sobre perdas de apostadores captados por meio de suas divulgações. Essa é uma alegação apresentada pelo MPDFT e contestada pela Blaze.
A plataforma declarou ao UOL que seus contratos com influenciadores têm finalidade exclusivamente publicitária e negou a existência de comissão ou cláusula vinculada às perdas ou aos resultados financeiros dos usuários.
Justiça estabeleceu limites para publicidade
O primeiro pedido urgente apresentado pelo Ministério Público para suspender campanhas foi rejeitado pela Justiça do Distrito Federal, que entendeu ser necessário ouvir as defesas e examinar contratos e estratégias comerciais antes de uma decisão mais ampla.
Posteriormente, porém, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios acolheu parcialmente um recurso do MPDFT e estabeleceu restrições à publicidade realizada pela Blaze e por Virginia.
A decisão proibiu anúncios que prometam ganhos certos ou garantidos, apresentem apostas como fonte de renda, investimento, alternativa de emprego ou solução para dificuldades financeiras, além de conteúdos que sugiram inexistência de risco de perda.
Virginia também passou a ter de identificar claramente os conteúdos publicitários publicados em stories, reels e outras postagens. Materiais em desacordo com as determinações deveriam ser retirados do ar no prazo estabelecido pela Justiça.
As penalidades previstas para eventual descumprimento podem chegar a R$ 2 milhões por infração, conforme a decisão divulgada pelo MPDFT.
MPDFT ampliou cobrança contra a Blaze
Depois de ter acesso a informações financeiras da operadora, o Ministério Público ampliou parte dos pedidos apresentados no processo.
Segundo o MPDFT, um balancete apontou faturamento de aproximadamente R$ 1,9 bilhão da Blaze em 2025. A partir desses dados, o órgão passou a pedir que o dano moral coletivo contra a empresa seja fixado em R$ 380 milhões.
O valor é diferente dos R$ 120 milhões pedidos originalmente de forma solidária contra Blaze e Virginia. O novo requerimento de R$ 380 milhões foi direcionado à empresa, segundo a comunicação oficial do Ministério Público.
O MPDFT também passou a pedir o ressarcimento de valores perdidos por apostadores que comprovem diagnóstico de ludopatia, além de outras medidas destinadas à proteção da saúde financeira e mental dos consumidores.
Defesas contestam acusações
A Blaze afirma atuar de acordo com a legislação brasileira e declarou não possuir contratos que remunerem influenciadores em função das perdas dos apostadores.
A defesa de Virginia, por sua vez, afirmou anteriormente que tomou conhecimento da ação pela imprensa e que se manifestaria no processo. Os advogados destacaram que ainda existiriam diligências pendentes capazes de esclarecer a natureza do vínculo contratual, a forma de remuneração e os limites da atividade publicitária exercida pela influenciadora.
O processo continua em andamento e não há decisão definitiva sobre a responsabilidade de Virginia ou da Blaze pelas acusações formuladas pelo Ministério Público.
O encerramento do contrato anunciado nesta sexta-feira põe fim a uma das parcerias publicitárias mais conhecidas entre uma grande influenciadora brasileira e o setor de apostas on-line, mas não encerra a disputa judicial.
*Da Agência Fonte Exclusiva








