A I Festa Literária Internacional do Pelourinho, em Salvador, acontece no berço da cultura viva;
A 1ª Festa Literária Internacional do Pelourinho, a I Flipelô, foi aberta com um Sarau bem diversificado, com tom de festa cultural e homenagem, apresentado pela cantora Maria Bethânia. O evento inaugural, o Sarau, foi realizado para convidados na Igreja de São Francisco, no Pelourinho, na noite de quarta-feira (9).
A Bahia, não somente Salvador é um berço de cultura viva, de turismo cultural e festas ecléticas. Para o governador do Estado, Rui Costa, presente ao Sarau, o Projeto inicia uma série de outros eventos do gênero:
“Este projeto deve se manter, porque a Bahia é isso, é poesia, é literatura, é arte e cultura. Esta é a marca e singularidade da Bahia. E nós haveremos de firmar, além das festas literárias de Cachoeira e de Mucugê, agora temos a Flipelô pra que a gente convide o Brasil e o mundo a vir nos visitar, conhecer a poesia da Bahia. Com certeza já é um absoluto sucesso, que vai se repetir nos próximos anos”.
A Flipelô é promovida pela Fundação Casa de Jorge Amado em parceria com o Governo do Estado. O escritor baiano que dá nome à Fundação é o homenageado nesta primeira edição junto às escritoras Zélia Gattai e Myriam Fraga.
A cantora Maria Bethânia abriu a apresentação com a Oração de São Francisco, recitou poemas de autores diversos, mesclados com canções populares e músicas como “Lamento Sertanejo” e “Oração ao Tempo”, acompanhada de violão e percussão.
“Eu estou muito orgulhosa, feliz e comovida de estar aqui”, declarou a cantora baiana sobre a abertura da Flipelô. Bethânia dedicou um momento do espetáculo ao escritor Jorge Amado, que foi homenageado com “Milagres do Povo”, “Gente Humilde” entre outros textos e músicas.
OFICINAS E DEBATES
A programação da Flipelô segue até o próximo domingo (13). Oficinas, debates, encontros, shows de música, teatro, entre outras atividades gratuitas fazem parte da programação, que acontece em diversos espaços do Centro Histórico. Durante quatro dias, 250 convidados e 60 atividades para adultos e crianças esperam por um público estimado de 30 mil pessoas.
A obra literária de Jorge Amado, principal homenageado, conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em formato de audiolivro. Minha preferida? A novela Teresa Batista cansada de guerra (1972, 21º. Livro do autor), que narra a história de uma órfã de pai e mãe, criada por sua tia Filipa, que a vende para o Capitão Justiniano Duarte da Rosa, dito Capitão Justo, que tinha predileção por adolescentes virgens. O capitão a estupra e a trata com crueldade, fazendo-a escrava sexual.
Tereza apaixona-se por Daniel e mata o capitão. Na prisão, Tereza é atendida pelo advogado Lulu dos Santos, por ordem do Dr. Emiliano. Resgatada por ele, Tereza passa por um breve período de felicidade no Sergipe, até que o doutor morre, deixando-a sem guarida. A partir daí ela passa a se prostituir e conhece um pescador com quem vive um lindo e breve romance. Ela vai para Salvador da Bahia e passa a cantar num cabaré. Conhece outro homem e decide se casar com ele, mas o seu grande amor, o pescador, retorna.
A novela mostra as religiões afro-brasileiras, mais precisamente a umbanda e os terreiros que Tereza frequentava. Tereza é filha de Iansã com Omolu, sendo uma moça alegre, extrovertida, brigona e namoradeira como filha de Iansã, e séria, calada, responsável e misteriosa como filha de Omolu. A ambiguidade e o vento sopram nessa Festa que é a Bahia!!!








