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Tragédia nas tribos

redacao Por redacao
01/03/2018 - 08:41
em Cidade
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Foto: Mayne Toscano/GEMT/Fotos Públicas

Foto: Mayne Toscano/GEMT/Fotos Públicas

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Alcoolismo, consumo de drogas e suicídio de índios: triste realidade que persiste no Brasil; jovens representam a maior parcela afetada nas aldeias;

Reportagem Especial: Sputnik News | Foto: Mayne Toscano/GEMT/Fotos Públicas

Levantamento do Ministério da Saúde mostra uma triste realidade raramente mostrada pela mídia brasileira: o suicídio entre a população indígena, principalmente na região do Rio Araguaia, entre os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Pará. De 2012 a 2016 foram 35 casos, além de dezenas de tentativas.

A reportagem da agência Sputnik News ouviu uma das maiores especialistas no assunto, a antropóloga Livia Vitenti, doutora na cátedra e que trabalha na Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde. Na entrevista, a especialista, doutora na cátedra pela Universidade de Montreal, no Canadá, fala do trabalho assistencialista a essas etnias, como as dos carajás, ticunas e guarani caiuás, que estão entre os grupos mais atingidos no país.

Lívia diz que a questão do número de casos ainda é um desafio, uma vez que as autoridades têm problemas com a qualidade das notificações dos distritos especiais indígenas. Segundo ela, existe um agravo dos casos, não porque os indígenas estejam se suicidando mais, mas pelo fato de que há mais notificações, ou seja, um aumento estatístico.

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A questão do acompanhamento de casos também não é tarefa simples. Os carajás, por exemplo estão distribuídos por 68 aldeias na região do Araguaia, sendo que a maior parte (12 aldeias) está localizada na Ilhado Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, e onde são registrados a maioria dos casos desde 2011, conforme acompanhamento do Distrito Sanitário Especial Indígena do Araguaia (DSEI), em São Félix do Araguaia.

“Os carajás apresentam número elevado, mas eles não são os únicos, porque a gente trabalha com a ideia que existem fatores de risco para suicídio de populações indígenas não só do Brasil, como também das Américas e em outros países como Austrália e Nova Zelândia. A gente trabalha também com outros fatores que são muito importantes, como o acesso à terra, conflitos com pessoas não-indígenas (madeireiro, garimpeiro), conflitos familiares, necessidade um sentimento de pertencimento maior àquela cultura”, exemplifica a antropóloga.

CHOQUE DE COSTUMES

Outros fatores de risco apontados como indutores ao suicídio entre as populações indígenas estão o consumo de álcool, drogas, como a maconha, e o afastamento de práticas tradicionais dessas comunidades, especialmente entre os jovens, ocasionando um quadro de depressão que, quando agravada, por levar a essas tentativas. Daí os esforços dos agentes de saúde indígenas em procurar valorizar as culturas de cada comunidade, tentando mostrar que não há culturas (como a dos brancos, por exemplo) que sejam superiores às daquelas comunidades.

Lívia diz que os jovens na faixa de 19 a 24 anos representam a maior parcela de suicídios entre as populações indígenas no país. Outro fato que ela destaca é que os homens registram percentualmente um número maior de óbitos do que as mulheres, segundo a antropóloga, pela forma mais violenta dos atos. As indígenas apresentam taxa maior de sobrevivência nas tentativas. Um aspecto importante ressaltado pela integrante da Sesai é o trabalho que vem sendo desenvolvido no campo da prevenção em várias frentes.

“Atualmente estamos tirando a palavra ‘suicídio’ das ações e falando mais da promoção da vida e valorização do bem viver além de uma agenda de ações estratégicas, já publicada no site da Sesai, construída por mim e pelo meu colega de equipe, o Fernando Pessoa de Albuquerque, onde temos eixos de atuação: o de qualificação da região de óbito do suicídio e de qualificação das equipes multidisciplinares de saúde indígena, que contam com psicólogos e outros profissionais de saúde e agentes indígenas de saúde”, diz Lívia.

A antropóloga ressalta a importância dos agentes indígenas de saúde pelo fato de que é comum os indígenas não se sentirem à vontade em falar com profissionais fora da etnia, especialmente no caso de mulheres, que preferem conversar com profissionais do sexo feminino. Outro aspecto importante do trabalho é o relativo à formação de jovens multiplicadores, pessoas interessadas em trabalhar com esportes típicos das comunidades, como as tradicionais corridas com toras, transmissão de tradição oral, valorização de histórias de cosmologia, canto, entre outras.

*Sputnik News

Tags: #ÍndiosDrogassuicídio
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