A polícia de São Paulo identificou dois suspeitos envolvidos na execução do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, ocorrida na última segunda-feira (15/09) em Praia Grande, no litoral paulista. O anúncio foi feito pelo secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, que confirmou a coleta de impressões digitais em um dos veículos abandonados pelos criminosos, um Jeep Renegade, que não foi incendiado .
De acordo com Derrite, o primeiro suspeito já possui um extenso histórico criminal, incluindo passagens por roubo e tráfico de drogas, além de ter sido apreendido na adolescência por atos infracionais. O segundo suspeito foi identificado horas depois, por meio de perícia no local do crime. O secretário afirmou que a polícia solicitará à Justiça a prisão temporária de ambos e destacou que as investigações seguem em andamento para capturar todos os envolvidos .
Ruy Ferraz Fontes foi assassinado em uma ação rápida e violenta, que durou menos de 40 segundos. Criminosos armados com fuzis perseguiram seu veículo, que colidiu com um ônibus antes de capotar. Efetuaram mais de 20 disparos contra o ex-delegado, que morreu no local. Duas pessoas que estavam próximas ao local do crime ficaram feridas, mas não correm risco de morte .
Contexto e Investigação
Fontes era um dos maiores especialistas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e havia sido alvo de ameaças da facção em outras ocasiões. Em 2019, uma investigação do Ministério Público de São Paulo apontou que Marcola, líder do PCC, teria ordenado sua execução como retaliação pela transferência de presos da facção para o sistema federal .
A polícia considera duas linhas principais de investigação:
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Vingança do crime organizado devido à atuação histórica de Fontes contra o PCC.
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Interesses locais relacionados à sua atuação como secretário de Administração de Praia Grande .
Uma força-tarefa integrada pela Polícia Civil e Militar foi mobilizada para investigar o caso, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O governador Tarcísio de Freitas determinou que a investigação seja prioridade .
Repercussão
A morte de Fontes gerou comoção entre autoridades e entidades de segurança pública. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, ofereceu apoio do governo federal nas investigações e destacou a gravidade do crime organizado no país. O Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo (Sindpesp) criticou a falta de proteção a profissionais que combatem o crime organizado e exigiu maior investimento em segurança .
Ruy Ferraz Fontes tinha 63 anos e dedicou mais de 40 anos à Polícia Civil, onde atuou em departamentos como o Deic, Denarc e DHPP. Ele foi fundamental na prisão de líderes do PCC e na resposta aos ataques da facção em 2006. Desde janeiro de 2023, ocupava o cargo de secretário de Administração em Praia Grande .
O velório de Fontes foi realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com a presença de autoridades, colegas e familiares. Seu corpo foi enterrado no Cemitério da Paz, no Morumbi.
Da Agência Fonte Exclusiva.








