Pesquisa da Folha da Manhã diz que prefeito de Campos-RJ tem avaliação melhor do que a de João Dória, em São Paulo;
Da redação
Na cidade de Campos dos Goytacazes, norte do Estado do Rio, o que resta da imprensa tradicional está virando piada nas ruas e nas redes sociais. A cena mais recente nesta comédia cotidiana é o jornal Folha da Manhã, que traz em sua edição deste sábado (29/04) a pesquisa de um instituto denominado DPSC, sobre o qual nunca se ouviu falar, apontando uma avaliação positiva de 82% para o prefeito da cidade, Rafael Diniz (PPS).
NA IMAGEM ACIMA: Prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), em uma de suas agendas de rua. Em 100 dias de governo 76% de aprovação, segundo o Datafolha, mas o índice estaria superado pela avaliação positiva de Rafael Diniz, segundo o desconhecido instituto DPSC
Saindo da discussão sobre metodologia empregada ou delírio (já que a cidade ganhou fama de hospício a céu aberto), os números traduzem um fenômeno nacional. Rafael Diniz teria hoje uma popularidade maior do que a do prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB), que segundo pesquisa recente do Datafolha, tem 76% de avaliação positiva.
O fenômeno que merece ser estudado, é que Dória produz uma agenda positiva por dia, enquanto que Rafael Diniz adotou medidas amargas desde que assumiu o mandato em primeiro de janeiro. Ele suspendeu pagamentos de fornecedores, não conseguiu resolver o problema de pacientes na saúde, conforme prometera em campanha, não pagou os RPAs referente ao mês de dezembro, sem contar outros problemas que provocam um turbilhão de críticas nas redes sociais.
A terra do chuvisco e do açúcar está em transe. Neste ambiente é difícil diferenciar o que é fato do que é piada. E quando a notícia ultrapassa a fronteira do humor é hora de pedir: “pare a rotativa, porque eu quero descer”.
O QUE SERIA HUMOR VIRALIZOU
Durante a semana, outro episódio envolvendo o jornal, foi a divulgação de um ato oficial com a nomeação do diretor da Folha, Christiano Abreu Barbosa como fiscal de wi-fi da prefeitura de Campos. O cargo não existe.
O documento postado como sátira numa página do Facebook ganhou proporções de notícia quando passou a ser compartilhado. Christiano fez um esclarecimento para explicar que se tratava de informação falsa.
Na rede social, infelizmente, há dificuldade para algumas pessoas diferenciarem o que é sátira do que é notícia. O diretor da Folha, portanto, foi vítima da onda virtual.

Alguns servidores em cargo comissionado da prefeitura também vieram a público fazer esclarecimentos sobre a confusão, mas a postagem de uma suposta nomeada chamou atenção:
“Temos um governo ético, responsável e principalmente com verdade e transparência”, escreveu a internauta Flavia Pessanha em sua página.
Não foi de bom tom. Uma eventual nomeação de Christiano Abreu Barbosa não seria falta de ética e muito menos agressão aos princípios da transparência, pois ele teria condições e reputação ilibada para ocupar a função pública, se fosse o caso.
Nelson Rodrigues, em outras palavras, já dizia que autoestima não pode ser banalizada, porque não é todo mundo que está preparado para exercer. É possível que a moça esteja com autoestima além da conta.
Em sua página no Facebook, Flavia Pessanha se apresenta como “proprietária / administradora da empresa Artes e Delicias do Adoletá. A expressão Adoletá é título de uma música interpretada por Xuxa (Deus me livre!), cujo trecho diz: Adoleta/ Le peti peti polá/ Le café com chocola/ Adoleta/ Puxa o rabo do tatu/ Quem saiu foi tú/
Assim como outros comerciantes que estão nomeados no governo, a moça deve se desdobrar para cumprir as tarefas de cuidar dos seus negócios e prestar serviços na administração municipal, caso, realmente, esteja nomeada. Mas no que se refere ao trabalho de defender o governo, ela ajudaria bastante se permanecesse calada.








