*Da redação
Em assembleia realizada na noite desta quarta-feira (14), os médicos da rede municipal de saúde de Campos dos Goytacazes (RJ), Norte Fluminense, decidiram pela manutenção da greve deflagrada no dia 7 de agosto. A categoria tem cerca de 1.300 profissionais atuando na rede pública do município.
A decisão frustra a expectativa do governo local, que esperava o fim do movimento grevista motivado pela proposta apresentada pelo Prefeito Rafael Diniz aos representantes da categoria em reunião realizada na segunda-feira (12).
O prefeito realizou a negociação pessoalmente com representantes do Sindicato dos Médicos (Simec) e do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj).
PROPOSTAS DO GOVERNO
A proposta do município previa o pagamento de 50% das substituições e gratificações aos profissionais da saúde no mês de julho, com depósito previsto para a próxima sexta-feira (16).
O governo também prometia abonar as horas não trabalhadas pelos profissionais nos ambulatório durante o estado de greve. Em compensação, eles deveriam repor a carga horária.
Outro ponto destacado na proposta foi a autorização do gozo das férias por parte dos profissionais, sem o pagamento imediato do 1/3 de férias. Com isso, segundo o governo, não haveria impacto em custos adicionais ao município, conforme previsto no decreto 183/2019, publicado no Diário Oficial na edição do dia 12 de julho.
Durante a reunião gabinete do prefeito, os representantes da categoria e do governo assinaram uma ata, cujo conteúdo foi colocado em votação na assembleia. Na ocasião, o prefeito expôs a realidade financeira do município, apresentando dados que apontam uma redução de repasses de royalties do petróleo e das participações especiais, duas principais fontes de receitas da administração municipal.
A ata foi equivocadamente divulgada em segmentos da mídia local como sendo um pacto entre o governo e a classe médica. Na verdade, a ata relatava o conteúdo da reunião e apresentava as propostas do governo que foram rejeitadas pela categoria.
Em entrevista ao Portal VIU! na tarde desta quarta-feira (14), antes da assembleia, o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, relatava que o clima de insatisfação da categoria persistia “não apenas por conta da questão salarial, mas também em função das condições de trabalho nas unidades de saúde”.
“É importante destacar que este não um movimento apenas dos médicos. É um movimento da saúde, que envolve a insatisfação de outros profissionais do setor, como enfermeiros, fisioterapeutas e atendentes”, disse o presidente do Simec.
Sobre a discussão salarial, ele também salientou que o piso dos médicos em Campos é o menor da região.
“O prefeito explicou as condições financeiras do município, chamou a categoria para cooperar com a gestão. Estamos prontos a fazer, desde que se dê transparências aos dados, porque queremos saber em que cavalo estamos embarcando”, afirmou Crespo.
O presidente do Simec também falou sobre ponto biométrico nas unidades de saúde.
“Não temos medo de ponto biométrico. Eles já existem no HGG e no Hospital Ferreira Machado há dois anos. Aliás, nem sei porque contrataram uma empresa nova para dar continuidade a este serviço”, disse.
OUTRO LADO
Após a reunião com representantes do sindicato na última segunda-feira, o prefeito Rafael Diniz tentou serenar os ânimos entre representantes do governo e dos profissionais da saúde. Diniz falou sobre a queda na arrecadação e as dificuldades em conceder reajustes.
“Todo mundo tem que entender que a realidade financeira do município é completamente outra e nós temos que nos adaptar urgentemente. Por isso, a importância desse grande pacto pela saúde de Campos. Todos os atores devem estar envolvidos na transformação”, destacou Diniz em release divulgado no site da Prefeitura.








