Operação “Os Intocáveis” desmonta comando do grupo de miliciano mais temido do Estado do Rio e prende suspeitos da execução de Marielle Franco;
Foto: G1
A Polícia do Rio prendeu nesta terça-feira (22) cinco suspeitos de envolvimento no com grilagem de terras na zona Oeste, e alguns deles investigados por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Os dois foram executados em março do ano passado no Centro do Rio.
A operação batizada de Os Intocáveis (que lembra o título de filme de Brian De Palma, estrelado por Kevin Costner), foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil.
Cerca de 140 policiais cumpriram 3 mandados de prisão preventiva expedido pela Justiça contra integrantes da milícia mais antiga e perigosa do estado do Rio.
ENTENDA A ATUAÇÃO DO ESCRITÓRIO DO CRIME
Segundo a força-tarefa do MP-RJ, os milicianos detidos são suspeitos de comprar e vender imóveis erguidos irregularmente em áreas de ação do grupo, como as comunidades de Rio das Pedras, Muzema e adjacências, praticando ainda crimes como extorsão, agiotagem, pagamento e propinas e ligações irregulares de energia e água.
Entre os presos está o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira, conhecido como Major Ronald ou Tartaruga. De acordo com os investigadores, ele é o chefe da milícia da Muzema e grileiro nas regiões de Vargem Grande e Vargem Pequena, grupo também conhecido como Escritório do Crime.
Major Ronald foi homenageado em 2004 pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, com uma moção de louvor na Assembleia Legislativa. Um ano antes, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, o Capitão Adriano ou Gordinho, recebeu a mesma homenagem de Flávio, que chegou a empregar a mãe e mulher do ex-policial militar em seu gabinete, segundo o jornal O Globo.
Capitão Adriano é um dos oito foragidos que estão sendo procurados por envolvimento com o Escritório do Crime, a mais antiga e perigosa milícia do Rio. Ele é tido, ao lado de Major Ronald e do também detido Maurício Silva da Costa, o Tenente Maurição, como o chefe da organização criminosa.
Foram também presos nesta terça-feira Laerte Silva de Lima; Manoel de Brito Batista, o Cabelo; e Benedito Aurélio Ferreira Carvalho, o Aurélio.
ASSASSINATOS SOB ENCOMENDA
As apurações apontam que os três ex-PMs e o presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, comandam o esquema. O último teria assumido o comando da associação por meio do uso da força e de ameaças, e a mesma entidade seria o centro das transações ilegais de compra e venda de imóveis na área grilada, cuidando da parte burocrática e documental do esquema. Além disso, Beto Bomba teria acesso a informações privilegiadas sobre operações policiais na área.
Outro negócio do Escritório do Crime seria o assassinato por encomenda, e os principais clientes são políticos e outras organizações criminosas. A atuação de Marielle Franco junto a moradores vítimas da milícia na zona oeste do Rio é a principal linha de investigação da polícia para o assassinato da vereadora e do seu motorista, Anderson Gomes, em março do ano passado. Há a suspeita do envolvimento de outros parlamentares do crime.








